Montevidéu, 29 (AE-AP) - O socialista Tabaré Vázquez poderá tornar-se o próximo presidente do Uruguai caso seja confirmado nas eleições de domingo seu favoritismo apontado pelas pesquisas.
Dotado do que alguns chamam de carisma e outros de demagogia e populismo, Vázquez, de 59 anos, é um reconhecido cancerologista com especialização na Argentina, Brasil, Japão, Israel, Estados Unidos, áustria, Turquia e Dinamarca.
Em seu histórico político dentro da heterogênea coalizão de esquerda da Frente Ampla destaca-se o fato de ter sido o primeiro prefeito socialista de Montevidéu.
Às vezes radical, outras, moderado, a personalidade de Vázquez é quase uma incógnita para os analistas e um campo fértil para seus opositores, que preenchem páginas inteiras ao tentar responder qual é o verdadeiro Vázquez.
Apesar disso, lidera as pesquisas, superando Jorge Batlle, do oficialista Partido Colorado, e o ex-presidente Luis A. Lacalle, do Partido Nacional, os dois grupos políticos tradicionais.
Para seus opositores, o êxito de Vázquez reside em suas promessas distintas, dependendo de seu auditório.
Diz em "fazer tremer até mesmo as raízes das árvores" quando está entre radicais, ou assegura "estabilidade e moderação" aos empresários.
Enquanto os radicas pregam o não pagamento da dívida externa, Vázquez assegura o contrário, embora anteriormente tenha defendido o calote.
Nomeou como um de seus assessores um dirigente dos ex- guerrilheiros tupamaros, Eleuterio Fernández Huidobro, e disse que caso seja eleito presidente ordenará a abertura de uma investigação sobre os 30 desaparecidos políticos durante a ditadura militar uruguaia, entre 1972 e 1984.

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