Social-democratas são derrotados em Berlim
Berlim, 10 (AE-AP) - Os social-democratas do chanceler Gerhard Schroeder sofreram hoje (10) mais uma derrota diante dos democrata-cristãos, desta vez nas eleições estaduais em Berlim. Segundo projeções divulgadas pela TV ARD com base em pesquisas de boca-de-urna, o Partido Social-Democrata (SPD) obteve 23% dos votos (0,6 ponto porcentual a menos que há quatro anos), enquanto o apoio do eleitorado estadual à União Democrata-Cristã (CDU) subiu de 37,4% (em 1994) para 40%. O Partido do Socialismo Democrático (PDS, ex-comunista) ficou em terceiro lugar, com 18 5% (quase 4 pontos a mais que no pleito anterior).
Embora tenham mantido o segundo lugar na capital e conseguido um resultado melhor que o esperado por analistas políticos, esta foi a sexta derrota seguida do partido de Schroeder em eleições estaduais e o pior resultado da agremiação em Berlim desde a 2ª Guerra.
A nova derrota do SPD é atribuída às impopulares medidas de austeridade do governo, à frustração com o rumo sinuoso da administração de Schroeder e a uma ineficiente campanha regional. O líder do partido no Legislativo de Berlim, Klaus Boeger, não hesitou em culpar o chefe de governo. "Tivemos um vento muito forte soprando contra nós, vindo do governo federal", afirmou Boeger. "É difícil imaginar dificuldades maiores que as que tivemos, mesmo tendo cometido erros próprios."
A CDU tem governado Berlim numa coalizão com o SPD desde 1991. Apesar do resultado de hoje, essa coalizão deve continuar, embora alguns dirigentes social-democratas tenham pedido que seu partido vá para a oposição. A balança de poder no Parlamento federal também não deve sofrer grandes alterações, já que o resultado não é suficiente para dar à CDU a maioria absoluta no Bundesrat - a Câmara Alta, formada por 69 delegados dos 16 Estados alemães.
Atualmente, a CDU pode contar com 28 votos no Bundesrat e o SPD, com 26. Os demais votos são de Estados - como Berlim - onde ambos formam uma coalizão e, por isso, os representantes dessas regiões não se pronunciam sobre questões que dividem radicalmente as duas agremiações. Como a CDU não conquistou votos suficientes para governar Berlim sozinha, os quatro representantes do Estado no Bundesrat continuarão se abstendo.





