Social-democratas admitem oportunismo ao lidar com ex-nazistas
Viena, 06 (AE-AP) - Desculpando-se por décadas de oportunismo, o líder do oposicionista Social Democrata admitiu hoje (06) que seu partido errou em cortejar e promover antigos nazistas após a Segunda Guerra Mundial na tentativa de tornar-se a maior força política da áustria. esperança
Os comentários de Alfred Gusenbauer surgem no momento em que o governo austríaco está sob severa observação internacional devido ao fato de metade de seus ministros pertencerem ao ultradireitista Partido da Liberdade, de Joerg Haider, associado a declarações de apoio à era Hitler e uma radical postura antiimigrantes, considerada racista por seus críticos.
O forte apoio eleitoral que permitiu que o Partido da Liberdade participasse do governo tem avivado o debate sobre se os austríacos têm sido honestos na revisão do papel de seu país durante a era Hitler.
Ao se desculpar, Gusenbauer exortou outros partidos austríacos a rever seu passado no pós-guerra e seus esforços para conquistar os votos de ex-nazistas.
O partido de Gusenbauer é esquerdista e sempre se apresentou como antinazista. Mas ele reconheceu em seus comentários de hoje que a prática nem sempre acompanhava a teoria na hora de cortejar tais eleitores, não apenas para os social-democratas mas também outros partidos austríacos.
Depois de 1949, quando ex-integrantes do partido nazista receberam novamente permissão para votar, "a competição correu solta entre os partidos democráticos em busca do apoio deles", dise hoje Gusenbauer a repórteres. Muitos ex-nazistas, segundo ele, foram tratados com complacência devido a "laços de amizade
oportunismo ou falta de consciência sobre o que era errado".
Também desempenhou um papel, afirmou ele, a obsessão ocidental em combater o comunismo, o que criou uma tolerância maior em relação aos pecados da era nazista.
"Combater o comunismo e o stalinismo tornou-se mais importante do que combater o regime derrotado dos nacional-socialistas", disse ele, usando o nome completo dos nazistas.
O historiador Oliver Rathkolb disse que tanto os social-democratas quanto o conservador Partido Popular - tradicionalmente a outra grande força política da áustria - "cometeram sérios erros lidando com muita complacência com o passado nazista".
"Apesar de muitos antigos partidários de Hitler terem mais tarde admitido seus erros, muitos outros não admitiram - e mesmo assim foram ajudados em suas carreiras impressionantes em ambos os partidos", afirmou ele.
Gusenbauer, cujo partido ainda detém a maioria das cadeiras no parlamento, também pediu desculpas ao "caçador de nazistas" Simon Wiesenthal por antigas acusações socialistas de que ele - um judeu que perdeu muitos familiares no Holocausto - teria sido colaborador da Gestapo, a polícia secreta de Hitler. Wiesenthal não foi imediatamente encontrado para comentar as declarações.
Gusenbauer disse ainda que "temos de ter vergonha" do apoio que seu partido deu por décadas ao médico Heinrich Gross, acusado de cumplicidade no assassinato de crianças em clínicas da era nazista.
Gross tornou-se um membro do Partido Socialista - mais tarde Social Democrata - depois da guerra, e tornou-se um psiquiatra e neurologista renomado graças em parte ao apoio dos social-democratas. Em 1981, ele foi expulso do partido.
"Jamais deveria ter havido lugar" para Gross entre os social-democratas, disse Gusenbauer. "Lamentamos sinceramente esses erros".
Antigas gerações de austríacos apoiaram ardorosamente Adolf Hitler, nascido no país. O Centro de Documentação Judaico, com sede em Viena e presidido por Wiesenthal, responsabiliza a áustria pela morte de três milhões de judeus - metade dos que foram exterminados durante o Holocausto. A maioria dos eleitores austríacos votaram pela anexação de seu país à Alemanha num plebiscito em 1938.
Isso foi rapidamente esquecido após a Segunda Guerra. Políticos austríacos negociando a independência deles com os Aliados insistiram que a áustria havia sido uma vítima do nazismo, não um perpetrador.
Kurt Waldheim ganhou a presidência austríaca em 1986 afirmando que era uma das vítimas, primeiro dos nazistas que dominaram seu país e posteriormente da comunidade internacional, que o criticou por esconder seu passado durante a guerra, quando foi um tenente em uma unidade alemã associada a atrocidades.
Outros oficiais associados a Hitler exerceram altgos postos em governos pós-guerra. Vários foram nomeados ministros até o final da década de 70, no governo do chanceler socialista Bruno Kreisky, um judeu forçado pelos nazistas a se exilar décadas atrás.
Os socialistas apoiaram a formação de um novo partido - o VDU - depois da guerra, apesar da agremiação ter em seus quadros muitos antigos nazistas. Os socialistas esperavam que a nova agremiação enfraquecesse o seu principal rival, o Partido Popular.
O Partido Popular está agora em coalizão com o Partido da Liberdade - o sucessor do VDU.





