Social-democrata teme hegemonia socialista Jair Rattner, especial para AE
Lisboa, 9 (AE) - A base da campanha o líder do Partido Social Democrata, José Manuel Durão Barroso, são quatro promessas: aumento das aposentadorias mínimas para pelo menos 210 dólares - atualmente a menor aposentadoria é de 120 dólares por mês -, um subsídio para cada agricultor de 1.500 dólares anuais, o fim das listas de esperas para cirurgias em hospitais em no máximo dois anos e uma redução de 10% no imposto de renda.
"Cumprir estas propostas é possível, desde que se realizem dois objetivos: a luta contra a evasão fiscal, porque o Estado não é capaz de ir buscar os impostos daqueles que não pagam, e através da redução do crescimento da despesa pública, que tem aumentado nos últimos anos a uma média de 8,5% ao ano", explica. Segundo Durão Barroso, bastariam 1,6 bilhão de dólares anuais para cumprir o que promete.
Para Durão Barroso, ex-ministro das Relações Exteriores e atualmente professor de ciência política, caso o PS obtivesse mais de 115 dos 230 deputados do parlamento estaria com o controle absoluto sobre o país. O PS juntaria o parlamento à presidência da República, a prefeitura das principais câmaras do país (Lisboa, Porto e Coimbra), além de ter influência em órgãos como a procuradoria geral da República.
Durão Barroso, um ex-maoísta de 43 anos que está sendo contestado dentro do partido em plena campanha eleitoral, nega que esteja usando bandeiras da esquerda: "Isso é uma confusão entre esquerda e justiça social. Esquerda é defender mais intervenção do Estado. Para mim, a intervenção do Estado não quer dizer obrigatoriamente mais justiça social. Sou liberal na economia, acredito que um Estado deve ser o mais reduzido na economia, mas sou social nas políticas, porque entendo que os recursos que assim se conseguem arrecadar devem ir para políticas redistributivas." Em relação ao Brasil, o líder do PSD considera que a política a ser seguida é a mesma do atual governo. "Em relação à política externa portuguesa há um grande consenso entre as principais forças políticas.
Não é só porque estamos em campanha eleitoral que vamos arranjar falsos conflitos. Eu pessoalmente sou entusiasta das relações com o Brasil, até por razões familiares", diz o candidato, cujo avô monarquista foi para o Brasil com a proclamação da República em Portugal.





