Sócia de Cacciola vai ser convocada pela CPI; depoimento de Lopes deve ser adiado
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 21 (AE) - O senador João Alberto Souza (PMDB-MA), relator da CPI dos Bancos, disse hoje que a sócia do Banco Marka
Cinthia Souza e Costa, teria gravações telefônicas comprometedoras que revelariam ligações entre a instituição e o Banco Central. "Foi o que nos disse o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e, por isso, ela foi listada como uma das pessoas a serem convocadas a depor na CPI", afirmou.
Segundo ele, a comissão listou também as três pessoas apontadas pela revista "Veja" que teriam ouvido do dono do Marka, Salvatore Cacciola, a declaração de que recebia informações privilegiadas do BC. Tratam-se dos empresários Leon Sayeg e Omar Jahic e do operador de mercado Alberto Antunes. Sayeg é diretor da Associação dos Cotistas Lesados do Banco Marka.
João Alberto e o senador Saturnino Braga (PSB-RJ), também integrante da CPI, chegaram hoje ao Rio com a missão de examinar os documentos apreendidos pelo Ministério Público Federal do Rio nas sedes dos bancos Marka e FonteCindam e nas casas de Cacciola, do dono do FonteCindam, Luiz Antonio Gonçalves, e do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. Com o feriado, porém, eles não conseguiram localizar a juíza da 6.ª Vara Federal, Ana Paula Vieira de Carvalho, e não puderam ver o material, guardado numa sala trancada.
Amanhã (22), às 11 horas, os senadores e seus assessores
o delegado federal aposentado Paulo Lacerda e o economista Hipólito Gadelha, voltarão à Justiça Federal para, finalmente, olhar os documentos e selecionar os que serão copiados, autenticados e levados para Brasília. Serão abertos também os envelopes lacrados encontrados na casa de Lopes - a juíza autorizou a quebra do sigilo de correspondência.
Os senadores estiveram na sede da Justiça Federal do Rio
onde estavam alguns extratos bancários de Lopes e o contrato de locação da sala da Macrométrica, consultoria da qual ele era sócio. O contrato, de 1997, tem Lopes, já diretor do Banco Central, como fiador. Segundo João Alberto, eles não analisaram os documentos e apenas pediram para que fossem providenciadas as cópias autenticadas. "Eram extratos normais de conta corrente"
contou.
Os dados contidos em disquetes de computadores também serão analisados a partir de amanhã. "Se acharmos necessário, vamos mandar o material para Brasília, onde será periciado pela Polícia Federal", disse o relator. A previsão do delegado Paulo Lacerda é de que, pelo volume de material, o trabalho de seleção dos documentos dure até sexta-feira. Os dois senadores vão ficar no Rio até tudo terminar. João Alberto admitiu que, com o atraso
no início da seleção de documentos, a CPI pode adiar o depoimento de Lopes, marcado para segunda-feira. "Os senadores querem ler os documentos antes das inqurições, e essa documentação pode inverter as investigações", avaliou.


