Sobrevôo mostra animais mortos e lagoas secas
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sábado, 07 de março de 1998
Agência Folha 
Os incêndios que devastaram a maioria das savanas e agora avançam contra a floresta, em Roraima, já causaram enormes transformações no meio ambiente. Na quinta-feira, ao sobrevoar de helicóptero a região a oeste de Boa Vista, a capital de Roraima, a reportagem presenciou uma espessa nuvem de fumaça, de 150 km de extensão.
O vice-governador Airton Soligo Cascavel (PTB) disse que pelo menos 50 mil hectares de floresta virgem do Estado já foram queimados. A Serra Grande (a 20 km de Boa Vista) está cercada por dezenas de focos de incêndio. O fogo avança a partir das propriedades rurais, estimulado pelos ventos fortes, comuns na região nessa época do ano.
A maioria dos animais foge para o mato ou para a estrada com medo do fogo, enquanto parte morre queimada. No sobrevôo, era fácil ver urubus devorando animais mortos como preguiças, tamanduás e veados.
O governo estadual estima que 12 mil cabeças de gado morreram. E teme que, até 20 de abril, quando se espera que volte a chover na região, este número cresça muito. Visto de cima, Roraima parece muito com São Paulo durante um sobrevôo noturno, comparou Cascavel. Nas savanas, o que se vê é muita areia branca nos locais onde, em situação normal, formam-se lagos nessa época do ano.
O fogo se espalha com facilidade por baixo da floresta, onde a folhagem está excessivamente seca. Existem colunas de fumaça até em pontos da floresta onde, num raio de 5 a 10 quilômetros, não existe atividade humana. O colono Elias Danielle, 51, um gaúcho que mora há 16 anos em Vila Apiaú (a 200 km de Boa Vista), disse que passou três dias com três filhos e um empregado trabalhando no mato até conseguir conter três focos de incêndio que ameaçavam sua propriedade.
Todo esse fogo está sendo provocado pela imprudência dos homens da região, disse Danielle. Para ele, é a agricultura atrasada, baseada na foice e no fogo, que está na base dessa situação.


