Sobreviventes reconstituem chacina em Guaíra
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Guaíra- Com lágrimas nos olhos e bastante abalada, uma das testemunhas da maior chacina registrada no Estado do Paraná, participou ontem da reconstituição do crime feita pela Polícia Civil de Guaíra e peritos do Instituto de Criminalística de Umuarama. A montagem da cena onde foram mortas 15 pessoas foi feita com base nas informações da jovem e de uma criança de 8 anos, filho de uma das vítimas, além de um homem que representou o traficante Robert Ramom Guedes Rios, 35, marido da testemunha, que está entre os mortos.
A reconstituição durou cerca de duas horas e meia e foi realizada no sítio na Vila Santa Clara, onde o crime ocorreu. A polícia reproduziu somente a cena do interior da casa.
A adolescente, mãe de um bebê de dois anos, considerada pela polícia a principal testemunha da chacina, disse que foi seu marido que salvou sua vida, a da filha e a do garoto. Os três conseguiram fugir do local ao pular uma janela.
De acordo com o relato da garota, Rios gritou e jogou o bebê no chão quando viu que ambos seriam mortos pelos criminosos. Ele chegou a agarrar um deles, mesmo baleado no pescoço. A adolescente pegou o bebê e pulou pela janela do local, durante o tiroteio. O mesmo aconteceu com o garoto, que conhecia alguns dos suspeitos.
A polícia reconstituiu essa cena para esclarecer dúvidas sobre os fatos que ocorreram dentro da casa. Um relatório sobre a reconstituição será anexado ao inquérito.
Ao reviver o terror que passou na chácara às margens do Lago de Itaipu, a jovem detalhou o lugar onde se manteve escondida por cerca de duas horas até conseguir fugir com a filha e o menino. ''Fiquei encolhida com a menina no colo e com o menino. Tinha que ficar tampando a boca dela pra não fazer barulho porque ela chamava pelo pai'', contou aos policiais.
Conselheiros Tutelares também estiveram no local acompanhando a ação dos menores. O menino, que tinha acabado de chegar do velório, não sabia que seu pai havia morrido durante o massacre. ''Eu achava que ele estava no hospital'', disse.


