Sobreviventes do Holocausto podem requerer seguro mesmo sem apólice
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Herton Escobar e Simone Biehler Mateos 
São Paulo, 21 (AE) - Sobreviventes do Holocausto ou seus herdeiros têm agora a oportunidade de cobrar seguro de vida ou de patrimônio feito antes ou durante a 2.ª Guerra Mundial - entre 1920 e 1945 - mesmo que a apólice esteja perdida e a companhia seguradora não exista mais. Para isso foi criada, em 1998, a Comissão Internacional de Reclamações de Seguros da Era do Holocausto (Icheic), que está lançando uma campanha mundial, com a abertura, em 70 países, de centrais de atendimento aos candidatos a indenizações. Mesmo aqueles que apenas suspeitam de que sua família tivesse seguro terão apoio para investigar essa possibilidade. O serviço é gratuito.
"Antes da guerra, muitas famílias judias adquiriram seguro," disse o rabino Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista, durante uma coletiva em São Paulo, hoje. "A ascensão do nazismo fez com que os judeus pressentissem dias piores e quisessem se proteger."
Acesso - A Icheic colocou em operação um telefone gratuito (00-817-452-1360), com atendimento em várias línguas, para o requerimento de formulários e informações. Não é preciso apresentar provas concretas da existência do seguro, explicou o advogado Neal Sher, diretor-executivo da comissão. Basta alguma indicação de que havia um contrato - uma carta, anotação em diário, ou até mesmo apenas uma lembrança. Contratos com empresas que não existem mais poderão ser pagos a partir de um Fundo Humanitário levantado pela comissão.
Informações também estão disponíveis no site www.icheic.org, onde será publicada um lista de milhares de nomes de judeus que não puderam reivindicar o pagamento de seguro. A lista, que será atualizada constantemente, inclui os nomes de segurados pelas cinco companhias que integram a comissão: Allianz AG, Generali, Zurich Financial Services, Winterthur Leben e Axa. No caso de suspeita de seguro feito em outras empresas, a Icheic se compromete a fazer pesquisa e pleitear o pagamento.
"Esse processo foi estruturado para resolver justa e rapidamente esses pedidos, considerando-se as circunstâncias do Holocausto," disse Sher, um ex-promotor de crimes de guerra, que identificou os restos mortais de Joseph Mengele no Brasil. Cerca de 200 pessoas já receberam ofertas de indenização, com pagamentos em média de US$ 10 mil, informou Sher.


