Sobreviventes de atentados denunciam ameaças
Cinco sobreviventes dos atentados de janeiro contaram que passaram a sofrer constantes ameaças por parte de policiais. Segundo eles, os recados intimidadores chegaram por meio de parentes. "Uma viatura abordou minha cunhada e falou que se encontrassem comigo na rua iam armar um flagrante para mim, que iam me matar", contou um deles, exibindo as marcas de balas pelo corpo.
O único que se identificou, Carlos Roberto Alves da Silva, de 33 anos, dono da casa do Jardim Planalto (zona norte) onde quatro pessoas morreram e outras três ficaram feridas, admitiu ter passagens pela polícia pelo crime de assalto. Segundo ele, o fato de ter antecedentes criminais foi decisivo para ser alvo dos policiais. "Eu fiquei oito anos preso e não devo mais nada, não tenho nada a ver com a morte do policial. Nada justifica chegarem atirando, inclusive contra minhas duas filhas, de 6 e 9 anos."
Silva é conhecido entre os policiais como Betinho Capeta e é acusado por eles de ser membro de facção criminosa que teve envolvimento em ataques a ônibus em Londrina. Ele nega as acusações. "Minha vida no crime ficou para trás, só quero poder viver em paz, sem ter familiares ameaçados. Minha luta agora será na Justiça."
Na última quarta-feira, um bilhete com ameaças de morte e dois projéteis calibre .40 foram deixados em frente à casa do pai de um apresentador da TV Tarobá, na zona oeste da cidade. No final do recado, há iniciais de uma facção criminosa. O editor-chefe da Tarobá, Fernando Brevilheri, considerou o episódio uma grave ameaça à liberdade de imprensa. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso.(C.F.)





