Sobreviventes cobram atendimento médico
Agência Estado
De Belém
Dez trabalhadores sem-terra feridos com gravidade (alguns mutilados) no massacre em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, estão há três dias em Belém, cobrando do governo estadual o cumprimento de decisão da Justiça que determinou o atendimento médico completo aos doentes visando a recuperação das sequelas. O Estado foi ainda obrigado a pagar as despesas referentes ao deslocamento e hospedagem das vítimas e uma pensão mensal. Durante o conflito entre os sem-terra e a polícia militar, em abril de 1996, 19 trabalhadores rurais foram mortos e outros 66 ficaram feridos.
Os manifestantes acusam o governador Almir Gabriel de ignorar a decisão da Justiça, que através da juíza Martha Inês Antunes Jadão concedeu liminar, em agosto passado, ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que representa os trabalhadores.
O governador esteve me visitando, no meu leito do hospital, e afirmou que nada faltaria aos sobreviventes para que recuperássemos a nossa saúde. Ele não cumpriu a promessa e agora estamos sofrendo muito, reclama Rubenita Silva. Ela convive até hoje com uma bala alojada no pescoço e diz que, aos poucos, está perdendo a vontade de viver. -
Rubenita mora na Curva do S, local onde os sem-terra foram mortos. Ela era a principal testemunha de acusação no julgamento dos PMs, mas não apareceu no Tribunal do Júri temendo represálias. Os responsáveis pelos crimes foram absolvidos e nós ficamos com muito medo dessa impunidade toda.
O procurador-geral do Estado, Luís Aluísio Cavalcante, informou ontem já ter enviado ofício ao governador para que a decisão judicial seja cumprida. Conversei com os sem-terra e vamos nos comunicar durante toda esta semana para que o caso seja resolvido com a rapidez que se faz necessária. Cavalcante disse ainda que já conversou com Almir Gabriel sobre o assunto e ouviu dele que o Estado cumprirá o seu dever.Vítimas do massacre no Pará exigem que governo cumpra decisão judicial que lhes garante cuidados necessários para recuperação das sequelas
Arquivo FolhaTragédiaDurante o conflito em Eldorado dos Carajás, em abril de 1996, 19 sem-terra morreram e 66 ficaram feridos





