A PCPR (Polícia Civil do Paraná) avançou na investigação da morte dos jovens Júlia Beatriz Garbossi Silva, 23, e Daniel Takashi Suzuki Sugahara, 22, ocorrida na madrugada de domingo (3) no bairro Jardim Jamaica, na zona oeste de Londrina, e cujo suspeito é Aaron Dellesse Dantas, 22, que está preso. Uma terceira vítima, colega de apartamento de Garbossi e namorada de Sugahara, foi atingida com golpes de faca e sobreviveu.

O delegado de Homicídios de Londrina, João Batista dos Reis, afirmou nesta segunda-feira (4), em entrevista coletiva, que a Polícia Civil já ouviu a jovem sobrevivente, que negou ter tido qualquer tipo de relacionamento amoroso com o acusado dos crimes.

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“Ela relatou que conheceu o autor no passado porque eram amigos e trabalhavam no mesmo local”, apontou o delegado, citando que o suspeito “sempre demonstrou interesse em um relacionamento amoroso, só que ela deixou claro que não tinha esse interesse”.

Durante a audiência de custódia, Dantas optou por permanecer em silêncio e teve a prisão preventiva decretada pelo TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná). Com isso, a PCPR tem dez dias para concluir o inquérito.

Sobre a dinâmica do crime, Reis explicou que foi apurado que outras pessoas estavam na casa mas, por volta da 1h, todos foram embora e ficaram a jovem, Daniel e Júlia. “Ela acordou de madrugada já com o indivíduo em cima dela e ficou sem entender, achando que era uma questão de paralisia do sono, até que ela percebeu que estava sendo vítima de ferimentos por arma branca”, explicou o delegado.

“Pelo contexto que nós vimos ali, me parece que ele [Daniel] já havia sido atingido quando ela percebeu”, explicou, citando que Garbossi foi em socorro e também foi esfaqueada.

A jovem sobrevivente foi presa com uma corda e algemas por algumas horas, mas conseguiu convencer o agressor a levá-la até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Sabará, garantindo que afirmaria ter sido vítima de um assalto. Segundo Reis, foi na unidade de saúde que ela conseguiu relatar o que havia acontecido. Após a prisão de Dantas, foram encontrados com ele uma faca e um canivete.

INVESTIGAÇÃO

O celular do suspeito será analisado e familiares das vítimas fatais serão ouvidos. Uma pessoa da família de Dantas também deve falar com a Polícia Civil.

Reis destacou que está sendo apurado se o comportamento do agressor caracteriza o crime de stalking (perseguição). Há indícios de que o rapaz mantinha perfis falsos em redes sociais para perseguir a jovem. “Pelo que ela disse, ficou bem claro que, realmente, esses perfis fakes quem criou teria sido ele. Ela deixou claro que nunca teve relacionamento, era apenas amizade. Ele que tentou algo a mais e ela não aceitou”, reforçou.

Segundo o delegado, a sobrevivente também relatou que chegou a pensar em registrar um boletim de ocorrência e pedir uma medida protetiva contra o rapaz, mas acabou desistindo. “Essa perseguição, se confirmada, pode caracterizar uma tentativa de feminicídio contra ela e homicídio contra os demais”, completou.

DEFESA

À FOLHA, o advogado Thiago Duarte, que faz a defesa de Dantas, afirmou que não havia conseguido falar com o suspeito até a tarde desta segunda-feira. “Até então, a gente só teve um tempinho para orientar ele para a audiência de custódia, para conversar com o delegado”.

UEL

Por meio de um Ato Executivo, a UEL decretou luto oficial “em sinal de pesar pelo falecimento da aluna Júlia Beatriz Garbossi Silva”. As aulas do curso de Ciências Sociais foram suspensas nesta segunda-feira, assim como em outros cursos da universidade.

OBSERVATÓRIO DE FEMINICÍDIOS

Em nota, o Néias - Observatório de Feminicídios de Londrina chamou o crime de um “ataque feminicida”, que teria sido “motivado pelo sentimento de posse sobre a vítima sobrevivente, mesmo não existindo um relacionamento afetivo entre eles”.

O Néias também ressaltou que “tratar feminicídio como “crime passional” em nada contribui para o entendimento social deste fenômeno”.

A nota também expressa a preocupação sobre o “despreparo dos serviços de saúde para o atendimento de crimes desta natureza”, destacando que “as vítimas de feminicídio tentado são atacadas unicamente por serem mulheres e necessitam de um olhar cuidadoso e imediato”. (Colaboraram Jéssica Sabbadini e Caroline Knup)

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