Sobrevivente de execução reconhece PM
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quarta-feira, 21 de setembro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um policial militar (PM) foi preso em Curitiba acusado de participar da execução de três rapazes em julho. Uma das vítimas sobreviveu, fingindo-se de morto, e denunciou o caso. O soldado Flávio Henrique Rodrigues, 26 anos, é acusado de tentar recuperar por conta própria o carro roubado do amigo Thiago Fernando da Silva Almeida, 23 anos. Segundo a polícia, os dois e mais uma terceira pessoa ainda não identificada mataram os supostos ladrões ao encontrá-los. A polícia suspeita que o soldado Rodrigues tenha envolvimento com o grupo de extermínio composto por policiais e ex-policiais que mataram o então major Pedro Plocharski.
Segundo o delegado da Homicídios, Luiz Alberto Cartaxo Moura, o soldado e seu amigo foram reconhecidos por fotografias pelo sobrevivente Elimerson Oliveria Almeida. Ontem o jovem reconheceu Rodrigues pessoalmente. Thiago Almeida continua foragido. ''Encontramos cápsulas de calibre 40, que é uma arma usada pela polícia, no local do crime e na casa de Rodrigues. A perícia comprovou que elas são da mesma procedência'', disse o delegado. A polícia também diz ter encontrado na casa do soldado um granada de uso exclusivo do Exército.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que a prisão de Rodrigues é um desdobramento das investigações iniciadas com a Operação Tentáculos, que prendeu os policiais que assassinaram Plocharski (leia abaixo).
Rodrigues é PM há cinco anos e disse que ''está sendo vítima de uma armação que será provada ao longo do inquérito.'' Ele afirmou: ''Sou vítima de uma injustiça. Já prendi muitos bandidos e hoje estou sendo acusado por um bandido. Minha aparência é comum. Muitas pessoas usam cabelo raspado.'' Rodrigues vai permanecer preso na Delegacia de Homicídios e depois será transferido para o Batalhão de Polícia de Guarda.
Segundo o delegado, o soldado já é investigado pela própria PM por cinco homicídios cometidos em serviço. Mas, neste caso, Rodrigues deve ser julgado pela Justiça comum.
O crime aconteceu no último dia 12 de julho. O sobrevivente Elimerson Almeida nega o roubo do carro. Os rapazes foram executados e depois tiveram as cabeças cobertas por sacos plásticos. Almeida não morreu porque colocou as mãos na cabeça, o que diminuiu o impacto do tiro. Depois ele fingiu-se de morto e também teve a cabeça ensacada. O crime aconteceu em uma região deserta de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.


