Sobrevivente da Candelária é assassinado no Rio
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Roberta Pennafort (especial para a AE) 
Rio, 14 (AE) - O menor João, de 16 anos, conhecido como "Bilinha", foi morto, hoje à tarde, por um homem não identificado, que desceu de um Ímega vermelho e atirou em seu peito, em plena avenida Presidente Vargas, no Centro, uma das mais movimentadas do Rio. "Bilinha", um dos sobreviventes da chacina da Candelária, ocorrida em julho de 1993, na qual oito menores foram mortos, foi assassinado praticamente no mesmo local onde escapou da morte em 93, próximo à Igreja da Candelária.
O crime aconteceu por volta das 15h30, quando "Bilinha" deixou seus companheiros, com os quais dormia sob o viaduto da Perimetral, no Centro. Segundo versão de alguns meninos, "Bilinha" se dirigia a uma loja de jogos eletrônicos, na rua da Candelária, a fim de jogar fliperama. Ao atravessar a rua em direção à Presidente Vargas, o menor foi surpreendido pelo disparo, que o matou na hora.
Os irmãos Cláudio e Márcio Freitas de Souza, de 22 e 20 anos
que faziam da parte da turma de "Bilinha", testemunharam o crime e disseram que o autor do disparo que matou o seu colega era branco, barbudo e forte. Os irmãos Souza informaram ainda que o homem não conhecia "Bilinha". Segundo eles, o homem parou o carro, supostamente de uma empresa de táxi especial, ao lado de "Bilinha", sacou a arma e disparou uma única vez.
De acordo com o depoimento dos meninos, o grupo que dormia debaixo do viaduto da Perimetral seria formado por sobreviventes da chacina da Candelária. "A gente dormia na Candelária, junto com os garotos que foram mortos, mas, no dia da chacina, viemos para debaixo do viaduto", explicou Márcio Souza, que desde então não voltou a dormir perto da Igreja.
"Ele não fazia mal a ninguém, nunca assaltou na vida, não tinha motivo para ele levar um tiro", disse Márcio, que afirmou que "Bilinha" morava na rua há muitos anos. Márcio disse ainda que o menor tinha família, que mora na favela do Forque Med, no bairro Jardim América, zona norte. Os garotos dormiam sob o viaduto quando ouviram o tiro. Quando chegaram até "Bilinha", ele já estava morto.
Os policiais responsáveis pelo patrulhamento do local disseram que o grupo costuma assaltar quem passa pela área. Cláudio Souza negou, e disse ainda que "Bilinha" tinha apenas R$ 1 no bolso, suficiente para ele comprar uma ficha para jogar fliperama. "Se o homem que atirou tivesse sido assaltado, ele não iria arrancar com o carro, e sim chamar a polícia", disse Cláudio.
O caso está sendo apurado pela 1ª Delegacia Policial (Centro)
que contará com os testemunhos dos amigos de "Bilinha" para tentar chegar até o autor dos disparos.


