Sobrevivente busca conforto na fé
O operário que nunca havia chegado perto de um avião tornou-se sobrevivente do maior acidente aéreo da cidade. Sem os filhos, no entanto, parte dele também morreu naquela Kombi. "Se pudesse, trocaria de lugar com eles. Perdi minhas coisas mais preciosas", lamentou Diógenes Gomes Fagundes.
Toda vez que uma aeronave cruza o céu, o trauma retorna. "Não gosto nem de ouvir o ronco dessa desgraça. Já não gostava antes, agora então...", confidenciou, sentado em um banco em frente à casa dele, no Conjunto Sebastião de Melo César, na zona norte.
Diógenes sofreu esmagamento de fígado e intestino provocado pelo cinto de segurança durante o impacto. Ele segue em repouso e caminha com dificuldade, com algumas sondas presas à barriga. Em 60 dias deve passar por uma cirurgia de reconstrução de intestino.
A diarista Silene Fagundes precisou deixar o serviço para cuidar do marido. "Depois de mais de um mês, parece que a ficha ainda não caiu, mas vamos encontrar forças, eu sei", comentou. O casal agora encontra nas filhas Renata, de 23 anos, e Rafaele, de 9, força para seguir em frente. Uma foto dos irmãos sobre a estante e um vídeo encontrado no celular de Renan - que resistiu ao impacto - são paliativos para abrandar a dor da família. Com voz doce, a caçula acompanha a música cantada pelo irmão no vídeo: "Olha só você, depois de me perder, veja só você, que pena".
Evangélico da Igreja Batista, Diógenes considera que Deus tem um propósito para todos. "É difícil entender, aceitar, mas sei que Deus tinha um plano para eles. A fé é o que nos conforta nessas horas."
Renato Tosi, filho de Flávio (motorista da kombi), iniciou uma campanha para ajudar a família de Diógenes. "É muito demorado o processo para ele se aposentar, nesse período a generosidade das pessoas tem feito a diferença", contou. Quem quiser ajudar a família pode entrar em contato pelo telefone (43) 3329-8268.(C.F.)





