Sobrepeso é sinal de alerta para não chegar à obesidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de setembro de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Assim como a causa da obesidade não é única, são várias as opções para tratá-la, desde o tratamento clínico às opções cirúrgicas. Mas qual a melhor opção para cada caso?
O cirurgião do aparelho digestivo Milton Ogawa, de Londrina, explica que os médicos seguem um consenso mundial, de 1991, sobre obesidade. Nesse consenso, o Índice de Massa Corpórea (IMC), que é o peso divido pela altura ao quadrado, foi definido como critério para avaliar quem tem obesidade. Se o IMC está entre 20 e 25, o peso é considerado normal. Acima de 30, é sobrepeso. De 30 a 35, é obesidade de 1º grau. De 35 a 40, obesidade de 2º grau. Acima de 40, de 3º grau ou obesidade mórbida. ''O sobrepeso deveria ser um sinal de alerta para não chegar a obesidade'', avalia.
Para quem tem obesidade de 1º grau, a indicação, segundo Ogawa, é o tratamento clínico, com orientação nutricional, psicológica, atividade física e uso de alguns medicamentos. ''Mas quem deveria receitar esses medicamentos é o endocrinologista, não o 'médico de emagrecimento', que não fez nenhuma especialização. E o que a gente vê é o uso de hormônios, diuréticos e anfetaminas, causando até a morte de pacientes'', alerta Ogawa.
A obesidade de 2º grau também pede o tratamento clínico, segundo Ogawa. Mas, se o paciente já tem problemas de saúde gerados pela obesidade, como pressão alta, diabetes, e repercussões ortopédicas por causa do peso, a cirurgia já é indicada. Assim, como na obesidade de 3º grau, que pede ''um tratamento mais definitivo''. ''Vale também o bom senso, ter um contato maior com o paciente para uma avaliação mais precisa'', afirma.
Os procedimentos, segundo o gastroenterologista Alberto Toshio Oba, de Londrina, podem ser restritivos, disabsortivos ou mistos. Os primeiros reduzem o tamanho do estômago, limitando a quantidade de alimento que se pode ingerir. É o caso do balão intragástrico, da banda gástrica e da gastroplastia vertical. Os procedimentos disabsortivos reduzem o comprimento do intestino, diminuindo a quantidade de alimento que o organismo absorve. Mas este tipo de operação hoje só é usada em casos excepcionais, pelas graves complicações pós-operatórias. Já os procedimentos mistos associam a redução do tamanho do estômago com a redução do comprimento do intestino. ''Estes são os mais usados'', atesta Toshio.
Em junho, duas portarias do Ministério da Saúde aumentaram os recursos e atualizaram os procedimentos da cirurgia bariátrica no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a nova portaria, os recursos deverão ser de R$ 20 milhões por ano, para a realização de 6 mil cirurgias bariátricas por ano pelo SUS.


