Sobrepeso atinge 54% da população no Sul
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quarta-feira, 15 de abril de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Londrina Mais da metade da população brasileira está acima do peso. É o que mostra a pesquisa Vigitel 2014, realizada pelo Ministério da Saúde. Apesar do índice de obesidade seguir estável no País, 52,5% dos brasileiros adultos têm sobrepeso. A região Sul, contudo, lidera em número de habitantes nesta condição. Nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul a taxa de pessoas acima do peso vai além da nacional, alcançando os 54%. O índice é o mesmo verificado com os entrevistados de Curitiba.
Segundo o Ministério da Saúde, o aumento da população com sobrepeso no País foi de 23% se comparados os dados desta pesquisa com a realizada há nove anos. Os homens são o público com os maiores percentuais, 56,5% contra 49,1% entre as mulheres. Em relação à faixa etária, a parcela mais crítica da população é a com idade entre 45 e 64 anos 61% apresentam quilos a mais na balança.
Vice-presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo (SBEM), o médico Márcio Côrrea Mancini analisa que quanto maior o Produto Interno Bruto (PIB) de uma nação, maior seu índice de sobrepeso e obesidade entre a população. Dos 20 países mais desenvolvidos economicamente no mundo, apenas três aparecem como exceção quando se trata de obesidade Coreia do Sul, Japão e China. "Em países europeus e nos Estados Unidos, o índice de obesidade chega a 35%. Ainda não estamos nisso, mas nossa taxa de sobrepeso aumenta a cada ano", diz o especialista, ao apontar que a tendência entre famílias que passam a ganhar mais é de abandonar hábitos saudáveis. "Ao invés de comprar mais frutas, legumes e verduras, muda-se para o fast food", pontua.
Ele avalia que, apesar de se tratar de um problema de saúde de difícil prevenção, ainda faltam investimentos governamentais no combate à obesidade. "Nas unidades básicas de saúde, onde os pacientes vão tratar doenças crônicas como diabetes e hipertensão, pouco ou nada é feito em relação ao peso", argumenta. A obesidade, reforça Mancini, precisa ser entendida como uma doença e não como uma "falha na força de vontade". "Nenhum obeso perde peso espontaneamente. É importante que se invista em prevenção. Assim, o gasto com doenças crônicas também diminuiria." Uma das saídas, sugere, pode ser por meio de orientações nutricionais efetivas nas escolas.
A coordenadora do programa Saúde na Escola na 17ª Regional de Saúde, de Londrina, Juliana Camilla Giuliani, explica que, ao menos na região, a iniciativa já vem ocorrendo na rede pública. "Trabalhamos com creches e alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Além da avaliação antropométrica, é feito um trabalho de educação alimentar", assinala. Com exceção de Rolândia, Londrina e Cambé, as demais 18 cidades pertencentes à 17ª RS aderiram 100% à iniciativa em suas escolas.
A maioria dos municípios, acrescenta, também conta com o Núcleo de Atenção à Saúde da Família (Nasf) nas UBSs. As equipes oferecem atividades com educadores físicos. "Quando se trata de escolares, conseguimos ampliar nosso alcance. Já com o público adulto, quando eles não têm problemas crônicos, é mais difícil se trabalhar a prevenção", pondera.
EMPENHO
Quem está acima do peso e quer perder os quilos extras reconhece que cumprir esta tarefa exige empenho. A publicitária Gláucia Oliveira, 30, de Londrina, começou a se mobilizar neste ano para emagrecer. Deixou de lado a vontade de fazer redução de estômago e optou pela atividade física aliada ao acompanhamento nutricional. Já perdeu 7kg de 103kg e pretende seguir firme até dezembro. "Vou focar este ano para me sentir melhor", promete.



