Curitiba - No final das contas sobraram 310 (37,3%) do total das 831 vagas reservadas para negros no vestibular 2005 da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ontem a universidade divulgou a lista dos ''aprovados'' entre os 122 calouros afrodescendentes e 65 provenientes de escolas públicas que passaram no vestibular como cotistas, porém tiveram problemas para comprovar sua situação na hora de efetivar a matrícula.
A UFPR divulgaria ontem à noite também a lista de segunda chamada do vestibular. Apesar de o processo seletivo com cotas ter sido concluído definitivamente com este último resultado, a Justiça Federal concedeu a segunda liminar a um aluno não-cotista que não passou em primeira chamada determinando que ele faça sua matrícula.
Dos 122 cotistas negros que passaram pelo teste de comprovação da cor, 33 reprovaram e outros 19 não compareceram. Já entre os egressos do ensino público, 35 não conseguiram comprovar com documentação e 20 nem sequer apresentou a documentação que faltava. Isso resultou em mais 107 vagas que vão ficar com os alunos da lista geral. As cotas para negros já não tinham sido integralmente preenchidas no resultado do vestibular, quando 573 afrodescendentes passaram no concurso. O reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, avaliou com normal a sobra de vagas, ''já que faz parte do processo de adaptação.'' ''Algumas pessoas se inscreveram nas cotas, mas não entenderam o edital. E a comissão que avaliou os negros é experiente'', afirmou.
No total, a UFPR vai ter em seu corpo de alunos que estão entrando este ano 521 alunos negros e 875 de escolas públicas (o número é maior que as vagas reservadas porque alguns calouros passaram por nota, sem precisar das cotas). Porém muitos alunos que estão na classificação geral estão insatisfeitos com esta situação e engressando na Justiça contra as cotas. Segundo a Justiça Federal não é possível contabilizar o número exato de ações ajuizadas até agora, mas garante que são dezenas. Apenas duas liminares foram deferidas. Uma delas, ontem, para um vestibulando do curso de engenharia química. O juiz federal substituto Mauro Spalding, da 7 Vara Federal de Curiitba, concedeu liminar para que o aluno faça sua matrícula e ainda determinou que a UFPR divulgue o escore de todos os alunos do curso sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
Segundo a liminar de Spalding, das 88 vagas do curso de engenharia química, o aluno teria ficado na 63 posição, lenvando-se em consideração que ele ficou na 20 posição da lista de espera. ''Estamos baseando as ações na tese que as cotas são ilegais porque ferem o princípio constitucional da isonomia (que todos são iguais perenta a lei). É deixar de ver as notas para ver as cotas'', afirmou o advogado do aluno de engenharia química, Evaldo Barbosa, que já tem seis ações neste sentido ajuizadas e outras 15 que está levantando a documentação para ajuizar. Segundo ele, duas já tiveram liminar concedida e uma negada até agora.
O reitor da UFPR considera natural as ações e acredita que elas não vão ser negativas para a Universidade em instâncias superiores. ''Vamos defender nosso vestibular. Quando a UERJ adotou o sistema pela primeira vez teve mais de 200 liminares. Aqui não deve ser diferente. Faz parte do processo'', argumentou.
Serviço: A lista de segunda chamada da UFPR está disponível no site www.bonde.com.br

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