Sobram dólares para o BC intervir no mercado, diz Fraga
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domingo, 28 de março de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 29 (AE) - O presidente do Banco Central, Arminio Fraga Neto, informou hoje que as intervenções da instituição no mercado para controlar a cotação do dólar não exigiram o uso dos US$ 3 bilhões dos recursos levantados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e organismos internacionais. Fraga lembrou do empréstimo de US$ 1 bilhão que o Brasil recebeu no dia 10 de março do Banco Mundial. "Sobrou bastante dinheiro e estamos avaliando as consequências disso", disse ele.
Pelo acordo com o FMI, somente parte desses recursos poderá ser somada aos US$ 2 bilhões, montante de recursos do destinado ao mercado de câmbio, em abril, para mantê-lo equilibrado.
Fraga não quis fazer nenhuma análise quanto ao desempenho do câmbio na semana passada porque as estatísticas do governo têm uma defasagem de uma semana a dez dias. Mas está confiante na retomada das linhas, aos poucos, principalmente, depois do road show feito no exterior.
O presidente do BC reafirmou que não há compromisso do governo em trabalhar com um determinado nível de preço. "Nossa preocupação é com a liquidez". Ele lembrou que desde o início do mês o BC foi vendendo dólares para neutralizar a falta de moeda do mercado, mas depois passou a faltar real, então o governo tomou a ponta contrário, comprando dólares.
Curto prazo - Fraga reafirmou a preocupação do governo em não financiar o balanço de pagamento com recursos de curto prazo. Esse tipo de dinheiro, de natureza especulativa, vem entrando no País desde a redução da alíquota do capital estrangeiro que investe nos fundos de renda fixa.
Ele ponderou, no entanto, que passado o período de turbulência como esse vivido pelo País, que levou a uma escassez drástica do capital estrangeiro investido aqui, é natural que os recursos de curto prazo sejam os primeiros a retornar.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, observou que nos primeiros três meses deste ano os investimentos diretos estão superando a casa de US$ 1 bilhão. Isso significa que os ingressos não se limitam ao curto prazo. Malan e Fraga participaram hoje de almoço em São Paulo, em homenagem do setor financeiro ao ministro.


