Sobrado desmorona e causa 2 mortes
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segunda-feira, 23 de novembro de 1998
Agência Folha 
Duas crianças morreram e duas ficaram feridas no desabamento de um sobrado ontem, por volta do meio-dia, na rua do Livramento, bairro da Saúde, no centro do Rio de Janeiro. Vítor Almeida Neves, de 3 anos, e sua irmã Taís, de 1 ano e dois meses, foram encontrados mortos, sob os escombros, às 18h30.
As outras vítimas, resgatadas durante a tarde, os irmãos Natália Cristina Gomes Paes, de 5 anos, e Marcos Paulo, 3, foram levadas para o Hospital Souza Aguiar, no centro da cidade. Elas apresentavam ferimentos leves mas, apesar de estarem fora de perigo, ainda devem ficar sob observação. O perito da Polícia Civil Alberto Rodrigues disse que a má conservação do imóvel contribuiu para o acidente. Segundo ele, uma pilha de entulhos no terreno vizinho, incendiado no ano passado, fez pressão sobre o muro, que cedeu e abalou a estrutura do sobrado.
O proprietário do prédio, Gilberto Carelli, que também administrava a serralheria no térreo, diz que as condições do prédio eram boas. As condições eram muito boas. Não sei o que aconteceu. Há quatro anos, quando um prédio ao lado desmoronou, a Defesa Civil e um engenheiro da prefeitura estiveram aqui e liberaram o prédio, afirmou Carelli.
Com a ajuda de sondas rastreadoras de som, os bombeiros ainda acreditavam, até as 18h, no resgate dos também irmãos Vítor e Taís. A esperança era que as crianças estivessem em bolsões de ar, protegidas do peso dos escombros. A operação de resgate envolveu 73 bombeiros de três quartéis do Rio.
A mãe das crianças mortas, Creuza Almeida Neves, de 30 anos, chorando muito, ajudou os bombeiros indicando nos escombros onde poderiam estar soterrados seus filhos. Na hora do desabamento, ela estava na área de serviço lavando um pano de chão, que havia usado momentos antes para limpar um pouco de leite que Taís havia derrubado no quarto. Antes do aparecimento dos corpos, Creuza disse que jamais teria se mudado para o sobrado - por cujo aluguel paga R$ 150 mensais - se soubesse que havia perigo.
O sobrado, construído há 72 anos, tinha dois andares. No térreo funcionava uma serralheria. No segundo andar moravam três famílias, num total de oito pessoas: as quatro crianças acidentadas e quatro adultos. O aposentado Manuel de Jesus, 65, e a filha Valmira, 38, moradores de um dos apartamentos do sobrado, estavam vendo televisão na hora do desabamento, mas não se feriram. Nós estávamos assistindo televisão quando, de repente, metade da sala desabou. Ficamos pasmos, caiu de uma vez, parecia até dinamite. Por sorte nossa, não fomos atingidos, explicou o aposentado.


