Sobra da Páscoa obriga varejo a dar descontos de até 50%
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de abril de 1999
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 6 (AE) - As sobras dos produtos comercializados na Páscoa obrigaram o varejo a entrar a semana dando descontos de até 50%. Os supermercadistas mais desconfiados, no entanto, preferiram não arriscar e já começaram as devoluções para os fornecedores. Os ovos de chocolate, por exemplo, estão com preços até 50% mais baixos que os praticados na Semana Santa.
A rede de lojas Supermercados Central lançou a promoção pague dois e leve três desde a manhã de ontem (5). "O estoque será zerado rapidamente", garante Omar Assaf, proprietário da rede e presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas).
O Grupo Pão de Açúcar está entre os que preferiram não arriscar. Desde ontem está contatando fornecedores e providenciando a devolução dos ovos. "O que tinha que ser vendido já foi na semana passada", afirma uma fonte. A indústria produziu 7% a mais que em 1998.
"O excedente não teve saída mesmo com queda de 20% nos preços no meio da semana passada", afirma José Humberto Pires de Araújo, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Bacalhau - A retração no consumo de bacalhau também surpreendeu os supermercadistas. "A queda nas vendas chegou a 30%", afirma Araújo. Neste caso, explica, os descontos serão bem menores. "O varejo fará promoção com preços entre 10% e 20% mais baixos", afirma.
Os altos preços, segundo ele, foram responsáveis pela retração nos negócios. Prova disso é que os pescados registraram vendas 25% superiores às do ano passado, segundo levantamento da Abras. A variação cambial provocou aumento de 40% nos preços do produto em relação ao ano passado.
Para tentar amenizar o mau desempenho nas vendas de bacalhau os varejistas estão tentando renegociar os prazos de pagamentos do produto. "O comércio está querendo aumentar de 30 dias para 90 dias os pagamentos", afirma.
Trimestre - O balanço das vendas no primeiro trimestre deste ano ficou além da expectativa do setor supermercadista. O presidente da Abras disse à AGÒNCIA ESTADO que o resultado empata com os primeiros três meses do ano passado. "O trimestre de 1998 encerrou com retração de 1,52% sobre o imediatamente anterior", afirma. "A projeção era de queda neste período", afirma Pires de Araújo.


