Paris, 27 (AE-AP) - Os ventos de mais de 200 quilômetros por hora, acompanhados de chuvas torrenciais, que varreram a Europa ontem (26) deixaram um saldo de 79 mortos, milhares de feridos e centenas de milhares de desabrigados, além de destruir florestas e bosques centenários e de danificar monumentos históricos, em alguns casos de forma irreparável, segundo balanços provisórios apresentados hoje pelas autoridades dos países atingidos. Foram registradas mortes na França, Alemanha, Suíça, Grã-Bretanha, Itália e Espanha. Na áustria, Bélgica e Portugal, embora duramente castigados pelo mau tempo, não houve mortos, mas é grande o número de feridos e desabrigados. Em todas as partes o cenário é desolador, com árvores arrancadas do solo pela raiz, casas destelhadas, vidraças quebradas, rodovias e ferrovias bloqueadas por queda de barreiras ou inundações e falta de energia elétrica, principalmente na região norte do continente. Quarenta e quatro pessoas morreram na França, o país mais prejudicado. Ventos de até 180 quilômetros horários açoitaram Paris e praticamente destruíram suas áreas verdes, além dos bosques de Versalhes, cidade localizada a 30 quilômetros da capital. A prefeitura de Paris estimou em 140 mil o total de árvores destruídas. O vendaval deixou sua marca também em monumentos históricos de Paris, como a Catedral de Notre Dame e a Sainte Chapelle, que perdeu seu famoso vitral do Gênesis. A Torre Eiffel não sofreu danos. A Alemanha, que já enfrentava os rigores de uma nevasca, foi atingida por ventos de 213 quilômetros por hora. Houve queda de árvores, destelhamento de casas e problemas em quase todas as rodovias do país. A maioria das mortes registradas foram causadas por acidentes de trânsito. Na Suíça, o maior problema foi a queda de árvores. Duas pessoas morreram quando uma árvore atingiu um teleférico e a gôndola caiu. Nos Alpes austríacos, um ônibus com turistas latino-americanos tombou. Quarenta e oito pessoas ficaram feridas, mas passam bem. O veículo procedia da Espanha e se dirigia à Itália, onde várias estradas foram interditadas. O Aeroporto Malpensa, de Milão, fechou, retendo 7 mil passageiros. Na Bélgica e sul da Holanda foram adotadas medidas especiais de emergência para conter as águas de rios locais que ameaçavam transbordar. Mesmo assim vastas áreas urbanas foram inundadas. É grande o número de desabrigados nos dois países. A ventania atingiu regiões tão distantes como Varsóvia e Moscou, onde não chegou a causar grandes estragos. Nessas cidades, o maior problema é o frio que já matou 90 pessoas na capital polonesa e 109 na russa.

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