Sobe para 710 o número de mortos na serra do Rio
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Agência Brasil 
Rio de Janeiro O número de mortos em consequência das fortes chuvas na região serrana do Rio de Janeiro subiu para 710, segundo o mais recente balanço parcial da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, divulgado às 21h de ontem (18).
Nova Friburgo continua com o maior número de mortos: 335. Teresópolis já soma 292 óbitos. Petrópolis tem 62 mortos e Sumidouro, 21.
Chuvas
As chuvas que atingiram a região serrana do Rio na última semana estão entre as mais intensas já registradas na localidade e as de maior índice pluviométrico da história de Nova Friburgo, a cidade mais afetada.
Em Petrópolis e Teresópolis, no entanto, o índice ficou abaixo dos recordes anteriores. A informações são da chefe da Seção de Previsão do Tempo do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) no Rio de Janeiro, Marlene Leal.
Segundo a meteorologista, em razão da intensidade pluviométrica das chuvas e da abrangência das áreas onde elas ocorreram a "catástrofe era inevitável".
Somente em Nova Friburgo a concentração pluviométrica chegou a 182,8 milímetros em um período de apenas 24 horas. Ela explicou que ocorreram três momentos de chuva forte em Friburgo: entre 4 e 5 horas choveu 30 milímetros, em seguida, houve outra pancada de chuva que concentrou 60 milímetros e, na sequência, mais 18 milímetros.
"E depois a chuva continuou até chegar, em um período de 24 horas, aos 182,6 milímetros de concentração pluviométrica, um recorde desde que os registros são feitos. É preciso lembrar, ainda, que já havia ocorrido uma chuva na véspera de mais de 90 milímetros, o que já havia deixado o solo encharcado", descreveu.
"Acho que a extensão abrangida pela chuva é que foi um dos principais problemas. Dificilmente se poderia evitar o que aconteceu diante da intensidade da chuva. A gente passou o aviso, mas não esperávamos que fosse nas proporções que atingiu."
A formação do relevo da região também contribuiu para a catástrofe. "O volume pluviométrico altíssimo levou a formação daquelas cabeças dágua. Aliadas à topografia da região e a ocupação desordenada em algumas regiões, e que não é coisa de agora, não haveria nenhum aviso meteorológico ou alerta da Defesa Civil que resolvesse o problema."
O Inmet, segundo ela, não tem autoridade para divulgar alertas meteorológicos um papel da Defesa Civil, de acordo com a especialista. Ao Inmet cabe divulgar Aviso Meteorológico Especial com a previsão e as possibilidades de chuva de maior ou menor intensidade.
Ela garantiu que na tarde do dia 11 o Aviso Meteorológico continha dois informes: um com a possibilidade de chuvas moderadas a forte, atingindo a divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro, a região serrana, o Vale do Paraíba e a região do litoral sul da Costa Verde.
O outro enfocava justamente a possibilidade da ocorrência de um acumulado significativo de chuva. "O que para nós significa um volume pluviométrico acima de 100 milímetros em um determinado período de tempo relativamente curto."


