Sobe para 24 total de presos mortos em rebelião no Paraguai
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terça-feira, 18 de dezembro de 2001
Alexandre Palmar<br>De Foz do Iguaçu 
Mais um brasileiro morreu vítima do incêndio provocado durante rebelião na Penitenciária de Ciudad del Este, fronteira de Foz do Iguaçu. Com a morte registrada anteontem à noite sobe para quatro o total de brasileiros mortos queimados e asfixiados no motim. O total de vítimas na maior tragédia do sistema carcerário do Paraguai já chega a 24 pessoas.
Antônio Pereira dos Santos, 24 anos, morreu depois de permanecer internado no Instituto dos Queimados, em Assunção. Seu corpo seria transferido ontem à noite para a fronteira. Ele estava no pavilhão onde começou o fogo, junto com outros 40 dos cerca de 100 brasileiros detidos na cadeia. Santos estava detido desde 20 de setembro de 1996 sob acusação de cometer homicídio.
Também morreram no incêndio Orlando Martins dos Santos, 34 anos, preso sob acusação de roubo e Emerson Ramos Magri, 31, acusado de tráfico de maconha. Ambos respondiam a processo. Já Pedro Silva, 34, preso por homicídio, é o único brasileiro morto que já havia recebido condenação. Entre os estrangeiros mortos, também está o argentino Sandro Marcelo Hirsch, 27, acusado de tráfico de maconha.
O Consulado do Brasil em Ciudad del Este está auxiliando os parentes das vítimas na liberação dos corpos que serão transferidos para o País. O Ministério Público investiga a responsabilidade dos presos e da administração da cadeia na tragédia.
O diretor da penitenciária, Pedro Galeano, disse ter aberto inquérito administrativo para apurar o caso. Ele considerou o episódio ''lamentável''.
A Polícia Nacional do Paraguai informou ontem que 96 pessoas ficaram feridas ou sofreram intoxicação e que 43 delas continuam internadas em hospitais de Ciudad del Este e Hernandárias (município vizinho). Outros oitos detentos em estado grave de saúde continuam hospitalizados em Assunção.
O motim, ocorrido no sábado, teria iniciado após um guarda atirar contra um detento que o teria ameaçado com um canivete. A bala supostamente atingiu a perna mas, segundo os presos, a vítima morreu depois de ser baleado. Revoltados, os detentos atearam fogo em colchões e outros objetos. A cadeia, com capacidade para 250 pessoas, abrigava 527 no momento do incêndio.


