Porto Alegre, 10 (AE) - O número de sites que pregam o racismo, a violência e o terrorismo subiu de mil para 2,2 mil nos últimos cinco anos, disse hoje o diretor de assuntos internacionais do Centro Simon Wiesenthal, Shimon Samuels. Noventa e dois por cento dos textos supremacistas, anti-semitas e promotores da discriminação racial são produzidos nos Estados Unidos, contou Samuels durante a palestra àdio on line, preconceito e discriminação na Internet. Ele defendeu maior controle sobre estes sites, mas ressaltou que em vários países não há legislação específica para responsabilizar judicialmente os responsáveis pela discriminação.
Na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa/RS, Samuels pregou restrições até mesmo para os sites que pregam o revisionismo histórico, ou seja, que desmentem o massacre de seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial. "Negar o holocausto não é um exercício de consciência, os que apagam os crimes de ontem estão preparando os assassinos de amanhã", disse. Além disso, segundo ele, muitos endereços têm links com sites mais violentos", argumentou. Samuels afirmou que a justiça da Argentina e do Uruguai já condenaram, na justiça civil, sites de discriminação racial.
Atrativo - O temor de Samuels - nascido na Inglaterra e primeiro judeu convidado a proferir palestra em uma universidade árabe, no Cairo - é de que especialmente as crianças e os adolescentes sejam atraídos pelas páginas racistas. "Antes, se o pai queria o punir o filho, mandava-o para o quarto. Hoje, ele vai para o quarto, liga o computador e se encontra com um mundo de amigos", disse. "Alguns destes sites ensinam a fabricar bombas, a abrir fechaduras e armar uma fraude bancária", advertiu. Uma de suas sugestões é de que o adolescente, os pais e escolas passem a discutir o conteúdo destes sites, no que chama de "educação triangular".
Na semana passada foi divulgada a condenação, pelo Supremo Tribunal Federal, do editor Siegfried Ellwanger Castan, de 71 anos, dono da editora Revisão, de Porto Alegre, por crime de incitação ao racismo. Castan escreveu e publicou o best-seller anti-semita "Holocausto Judeu ou Alemão - Nos Bastidores da Mentira do Século e também vende livros através da rede mundial de computadores.
Em outros países do continente, caso do Chile, não há legislação adequada para restringir este tipo de atividade. "Tive uma audiência com o presidente Ricardo Lagos e ele ficou de encaminhar um projeto, com base no que fez, na Argentina, o hoje presidente Fernando de La Rúa", disse. A proposta, segundo Samuels, pretende submeter à Justiça os autores deste tipo de delito na Internet.

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