SOB OS EFEITOS DO SOL - Brasileiro usa menos protetor solar que o ideal
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
O bronzeado acaba, assim como o verão, mas não os efeitos nocivos do sol sobre a pele. E o saldo de uma questão estética pode ser uma doença grave - o câncer de pele, tumor de maior incidência no País, que corresponde a 25% de todos os tumores malignos.
Essa é a época do ano - quando começa a temporada de roupas mais curtas e dias mais longos, praia e piscina - que os cuidados contra os raios solares precisam ser intensificados. Entre as formas de se proteger (veja quadro) o protetor solar tem destaque, mas é preciso saber usá-lo. A dermatologista Lígia Martin, de Londrina, alerta que o brasileiro costuma usar apenas um terço da dose ideal para proteção. ''O recomendado é aplicar a quantia de 40 ml no corpo todo (ou 2 mg por centímetro quadrado), o que, com as reaplicações, corresponde a um frasco por dia'', ressalta.
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) mostra que a aplicação de quantidades insuficientes do produto reduz o fator de proteção solar (FPS) a menos da metade. ''Criamos uma equação que estima o real valor do FPS de acordo com a quantidade de filtro solar aplicada'', explica Sergio Schalka, autor principal da pesquisa publicada pela revista ''Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine''. ''A queda da proteção é exponencial, ou seja, se você passar metade da quantidade recomendada de um protetor solar com FPS 20, o FPS real que você terá será 7.''
Outro erro comum, diz ele, é não reaplicar o filtro solar com frequência durante o período de exposição solar. ''Depois de duas horas, o protetor já foi para o espaço por causa do suor, do atrito da pele com a roupa ou com a areia da praia. Mesmo um filtro que em teoria garante proteção por um tempo longo precisa ser reaplicado''.
A Academia Americana de Dermatologia recomenda, desde outubro do ano passado, que o FPS mínimo dos filtros solares seja 30. ''Essa preocupação deve ser constante, pois o sol do dia a dia, ao longo da vida, prejudica mais que o da praia uma vez por ano'', ressalta Schalka.
Mas, se nem o hábito existe, o que dizer quando se considera o preço do produto? É com a intenção de deixar o protetor solar mais acessível que pesquisadores do Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, defendem mudanças em sua classificação de produto estético para medicamento. Uma pesquisa (veja texto nesta página) que mostrou que a maioria dos atingidos pelo câncer no sul do País são os de renda mais baixa, principalmente trabalhadores rurais, motivou a discussão.
Com a alteração da classificação do protetor solar, bem como a promoção de mudanças nos hábitos da população, os médicos da instituição acreditam que é possível reduzir a incidência de câncer de pele não melanoma. ''A pouca disponibilidade financeira da população pesquisada é que nos leva a pedir que o governo altere a denominação do bloqueador solar de produto estético (com alíquota maior de imposto) para o grupo de medicamentos'', afirma o oncologista e especialista em pele Marcos Montenegro, coordenador da pesquisa. (com Agência Estado)


