Sob La Niña, verão no Sudeste terá inundações, prevê Inmet
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quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 15 (AE) - O verão, que começa oficialmente às 5h44 do dia 22 e vai até as 4h05 do dia 20 março, continuará sob os efeitos do La Niña, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O fenômeno continuará ativo no Pacífico Equatorial, influenciando as condições climáticas da maioria das regiões brasileiras.
Pode haver chuvas contínuas neste período nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, com índices pluviométricos acima do normal na região Norte e na parte norte da região Nordeste. Na região Sul, a distribuição temporal e espacial de chuvas será irregular. As temperaturas poderão ficar ligeiramente acima do normal na região Sul e abaixo do normal nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. As regiões Norte e Nordeste ficarão dentro da normalidade.
Segundo o diretor do Inmet, Augusto César de Athayde, o La Niña continuará ativo, mas com atuação moderada, até maio/2000. O verão, conforme a previsão do Inmet, também será marcado pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), "que se caracteriza pela interação da umidade continental equatorial com a umidade oceânica trazida pelas frentes frias".
Enchentes - Este sistema pode provocar a formação de largas faixas de nuvens que trarão chuvas contínuas nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso, com grande possibilidade de inundações, principalmente nas grandes cidades.
Um outro sistema que caracteriza o verão, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), "faixa de nuvens oceânicas formadas pela convergência dos ventos alísios nos dois hemisférios, que em anos de La Niña geralmente ocorre mais próxima da costa norte do País poderá provocar fortes chuvas no Amapá, norte do Pará e nos estados do Norte da região Nordeste (MA, PI, CE e RN).
Granizo - O La Niña deve provocar chuvas irregulares e mal distribuídas neste verão na região Sul. Isto significa que poderão ocorrer precipitações de forte intensidade, em períodos curtos de tempo, intercaladas com períodos de vários dias sem chuvas. Isto poderá ser agravado pelo fato da evaporação e evapotranspiração serem maiores no verão, o que poderá afetar a agricultura. As precipitações devem ficar abaixo da média, principalmente no centro e oeste da região, além do sul do Rio Grande do Sul, devendo ficar perto da normalidade climática apenas no norte do Paraná.
As chuvas deverão ser ocasionadas por instabilidade na atmosfera, favorecidas pelo forte aquecimento diurno, resultando em pancadas de chuvas no período da tarde, normalmente acompanhadas de trovoadas e eventualmente de granizo. As chuvas de granizo poderão ocorrer principalmente no norte do Rio Grande do Sul, planalto e oeste de Santa Catarina e sul do Paraná. Assim, as precipitações totais, que variam entre 83 milímetros no litoral sul do Rio Grande Sul e 285 no litoral do Paraná, deverão ser menores neste verão. Em anos de La Niña a tendência é de que os extremos de temperatura se acentuem.
A previsão para o verão no Centro-Oeste é de chuvas em forma de pancadas, raios, rajadas de vento e queda de granizo no Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso no período inicial do verão. No decorrer da estação, essas condições se modificarão fazendo com que as chuvas se tornem mais contínuas e a temperatura caia devido às frentes frias. Os índices normais de precipitação no período variam entre 150 a 300 milímetros, com valores máximos que poderão atingir cerca de 400 mm na região, exceto no MS.
A chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul também deverá manifestar-se no Centro-Oeste, especialmente em Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. Com isso, vai chover acima do normal para a estação. As chuvas serão irregulares e podem ficar abaixo do normal no Mato Grosso do Sul. Há ainda possibilidade, conforme o Inmet, de que ocorra falta de chuva por períodos de 7 a 15 dias em Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal.


