Só resta à China tentar assustar Taiwan
Só resta à China tentar assustar Taiwan17/Mar, 15:13 Pequim, 17 (AE-ANSA) - Quinze milhões de taiwaneses estão aptos a votar amanhã nas eleições presidenciais que podem marcar o fim de 50 anos de domínio do Kuomintang e impulsionar a independência da rica ilha do Mar da China Meridional que em 1949 se separou de Pequim. O governista Partido Nacionalista (Kuomintang) tem como candidato Lien Chan. Os candidatos de oposição são James Soong, um dissidente do Kuomintang, e Chen Shui-bian, do Partido Democrata Progressista. Shui-bian, que lidera as pesquisas, foi alvo de iradas críticas de Pequim, que considera Taiwan uma província rebelde fadada a reunificar-se com a mãe-pátria. Mas na bela ilha tropical, onde o PIB per capita é 16 vezes maior do que o da China e um terço de suas exportações são de alta tecnologia, apenas os idosos olham para o "continente" como a mãe- pátria. Dois vírgula cinco por cento da população querem a independência, segundo pesquisas, mas 75% querem a manutenção do status quo. Em Taiwan, os taiwaneses já são taiwaneses, e desfrutam de uma das melhores democracias da ásia. A reunificação que a China propõe, prometendo a manutenção do sistema sócio-econômico e das forças armadas, não oferece nenhuma vantagem além da que possa chegar apenas com uma boa vizinhança. A saudade da terra natal, os vínculos, estão morrendo com as velhas gerações. Mesmo o Kuomintang, tacitamente, renunciou à idéia de reconquistar o domínio de toda a China, perdido na guerra civil de 1949. Taiwan é de fato independente há 50 anos, responderam igualmente os três principais candidatos presidenciais às ameças dos comunistas, que têm previsto a explosão de uma guerra caso Taiwan vote pela independência. A ilha é para os Estados Unidos um "porta-aviões insubmergível", dizem os chineses. E Pequim não tem nenhuma intenção de deixá-la com os americanos. O orgulho nacional, a inviolabilidade da soberania, de que tanto falam os dirigentes, servem para estimular os sentimentos nacionalistas do povo. O fato é que Taiwan tem uma posição estratégica importantíssima, estando a apenas 160 quilômetros da costa chinesa. O nervosismo da China aumenta com a consciência de que o tempo conspira contra ela, as aspirações de independência são quase consensuais e que uma solução militar não é realista. Todos os analistas concordam que a China não tem capacidade militar para conquistar a ilha e não a terá pelo menos nos próximos cinco anos. Seus meios anfíbios podem transportar no máximo 10 mil homens, que uma vez desembarcados teriam de enfrentar 360 mil combatentes. A aviação chinesa conta com 50 Sukhoi-27 russos, contra os 150 F-16 e os 60 Mirages-2000 taiwaneses. Um ataque com mísseis não resolveria nada. "Se eles dispararem todos que dispõem, os aeroportos de Taiwan ficarão fechados por 24 horas, e os chineses ficariam sem mísseis", disse um especialista militar. Entre as duas parte, por enquanto Taiwan é muito mais forte militarmente. Pequim poderia talvez lançar uma guerra tecnológica, com vírus que bloqueariam os computadores, provocariam blecautes ou interromperiam as telecomunicações, mas Taiwan dispõe de meios ainda mais sofisticados para responder. Não resta nada mais a Pequim do que continuar ameaçando, com a esperança de assustar os eleitores e, sobretudo, o eleito.





