Só repressão não resolve problema das drogas
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segunda-feira, 24 de junho de 2002
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Grande parte dos telespectadores que assistiu à recém-encerrada novela O Clone criticou a abordagem do uso da droga, com cenas de adolescentes usando drogas intercaladas por dezenas de depoimentos reais de dependentes químicos. O médico psiquiatra Fernando Sielski, especialista em prevenção e tratamento de dependência química, no entanto, considerou fantástica a iniciativa.
O primeiro resultado positivo da novela, segundo ele, foi o crescimento no número de dependentes e familiares que passaram a procurar tratamento. O segundo foi a forma como o tema foi abordado. Já se sabe que não dá certo usar ações policialescas e repressivas, e o modelo liberal também não dá certo porque o jovem precisa de limites. Por isso, é preciso achar um modelo intermediário, mostrando que a droga tem seu lado de prazer, mas também traz muito estrago e sofrimento, afirmou, ontem, na abertura da IV Semana Nacional e VII Semana Estadual de Prevenção ao Uso de Drogas no Paraná.
Para o psiquiatra, as famílias não podem mais criar seus filhos à margem do problema das drogas, uma vez que dificilmente o jovem não terá chance de experimentar algum entorpecente. Ele tem que ter informação suficiente para dizer não ou, se quiser usar, assumir as responsabilidades de seus atos. Os pais, no entanto, não podem se restringir ao discurso de que a droga faz mal. Não adianta dizer que a droga é uma porcaria se ele está se sentindo o máximo e pensa, ainda, que pode parar quando quiser, alerta. Por isso, ele acredita que podem ser importantes ações de prevenção atividades em escolas, em empresas e em associações de pais.
Infelizmente, segundo ele, os pais só vêem que seu filho está se tornando um dependente quando ele já está neste mundo há mais de um ano. Nessa fase, alguns indícios são característicos: alteração de comportamento, mau desempenho escolar, desleixo na aparência, ter amigos com vida muito aberta, dormir demais, não querer ir à aula, ter comportamento afrontante com os pais, entre outros.
Organizada em conjunto pela Secretaria Estadual de Justiça, prefeituras, Polícia Militar e organizações de apoio e prevenção aos dependentes, a campanha vai até sexta-feira com teatro, distribuição de panfletos e gibis em bairros e nas oito Ruas da Cidadania, vídeo-conferências nas escolas da públicas e privadas e cursos de capacitação de policiais.
Só repressão não resolve, disse o secretário estadual de Justiça, José Tavares, ressaltando que a preocupação da sociedade não deve se restringir às drogas proibidas, mas também ao uso crescente de drogas lícitas, como o álcool e o tabaco. Segundo o psiquiatra, o batismo do jovem nas drogas quase sempre acontece com o álcool. Depois ele experimenta o tabaco, e só depois a maconha ou cocaína, alerta.


