Cursos paralelos ao ensino superior, treinamentos e estágios, facilidade no uso da tecnologia, adaptabilidade a trabalho em equipe são alguns dos requisitos que constam da cada vez mais extensa lista de exigências do mercado de trabalho moderno. Jovens que querem ingressar no mundo profissional têm que ser polivalentes e multiplicar o tempo para chegar à primeira entrevista de emprego de sua vida munidos de muitos certificados e inúmeras habilidades. Até traços de comportamento pesam, e muito, na hora de brigar por uma vaga. Depois da conquista, a maratona continua.

Foi-se o tempo em que o diploma de um curso superior era a garantia de uma boa colocação no mercado de trabalho. Ser flexível às mudanças e saber trabalhar em grupo são alguns dos itens decisivos no momento da escolha do candidato que irá ocupar a vaga. ''Se a pessoa não tiver capacidade de se adaptar às mudanças, se não conseguir trabalhar em grupo, com certeza, sua formação escolar será desvalorizada. Hoje, as empresas passam por muitas mudanças, são obrigadas a se adaptar rapidamente às regras do mercado, à situação econômica, e buscam funcionários que tenham facilidade nessas adaptações'', diz Adriana Tabith, consultora de Recursos Humanos da Manager Assessoria em Recursos Humanos, de São Paulo.
Embora essencial, ter flexibilidade não é o bastante. O jovem, dita o mercado, já tem que sair da faculdade com um currículo rico. ''No período em que ele estiver estudando, tem que, paralelamente, fazer estágios, cursos complementares à sua formação, que lhe darão maior possibilidade de colocação no mercado. Hoje, quanto mais complemento prático, melhor'', comenta Adriana. Falar fluentemente uma língua, de preferência o inglês, saber digitar e entender de informática são outros aspectos essenciais para se dar bem na vida.
Afonso de Miranda Wosny, supervisor regional do escritório de Londrina do Centro de Integração Empresa-Escola, no Paraná, lembra que há 40 anos só o diploma do antigo ginásio (hoje ensino médio) já garantia emprego numa boa empresa. ''Antes, terminado o ginásio ia-se trabalhar em bancos, lojas, na rede ferroviária. Hoje, quanta variável é preciso para se arrumar um bom emprego'', comenta.
O consumidor exigente é um dos motivos que, na avaliação de Wosny, levaram a necessidades de mudanças do perfil de empresas e de funcionários. ''Uma das qualidades mais valorizadas no mercado é a criatividade. O funcionário que traz coisas novas e se adapta com facilidade a novas situações, certamente é uma pessoa importante para a empresa'', considera. E quem não se acha criativo não precisa se achar um derrotado. Para Wosny, a criatividade se desenvolve através de leituras, viagens, discussões, participação, lazer, capacidade de observação etc.
Assim como Adriana e Wosny, a psicóloga Ruth Hayashi, da Labor, também é taxativa quando diz que o só o diploma não é garantia de um bom emprego. ''Mas é um facilitador'', diz ela, que também orienta os estudantes do terceiro grau a procurar trabalho enquanto estudam. ''Mesmo que seja em outra área, é importante o aluno ter uma experiência de trabalho, onde terá contato com as regras do mercado (horário, normas e regulamentos de uma empresa, relacionamento em grupo)'', cita.
Ruth Hayashi observa que o mercado está cada vez mais exigente. ''Até para o setor de produção (chão de fábrica) exige-se, pelo menos, o primeiro grau completo'', comenta. A exigência ocorre, comenta Ruth, devido às tecnologias implantadas pelas empresas. ''As pessoas com maior grau de instrução têm maior facilidade de compreensão,'' explica.
A conclusão de, pelo menos, o segundo grau, é condição básica, na avaliação de Ruth. Adriana Tabith, da Manager, considera que essencial é ter o curso superior. ''Os casos de pessoas que se sobressaem tendo apenas o segundo grau são cada vez mais raros. Podem acontecer em alguns setores específicos, mas não é uma regra.''
Entrar na empresa, lembram os especialistas, também não é sinônimo de sossego. Lá dentro, a maratona continua e para ter uma carreira promissora, é preciso estar sempre em busca de conhecimento. Haja fôlego!

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