Só 44,6% dos professores têm 3º grau
Agência Folha
De Brasília
Os 94,9 mil professores de 1ª a 4ª séries no Brasil que não completaram o 2º grau representam 12% do total de 788,9 mil docentes desse nível de ensino. A maioria deles (82%) dá aulas em escolas da zona rural. Do total, 44,3 mil não completaram nem sequer o ensino fundamental (antigo 1º grau).
Se nos próximos dois anos e meio eles não conseguirem concluir o magistério, passarão a ser foras-da-lei. Isso porque a lei que regulamentou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) estabeleceu prazo até 2001 para que todos os professores tenham a habilitação correta.
O grau de formação varia de acordo com o nível em que o docente atua - ensino médio completo para professores até a 4ª série, e ensino superior para os que lecionam a partir da 5ª série.
Além disso, a partir de 2007, todos os professores da educação básica - inclusive os de pré-escola - precisarão ter curso superior para se adequar à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
O desafio é grande. Só 44,6% do 1,8 milhão de professores das escolas brasileiras têm nível superior. Na zona rural, a situação é ainda pior: só 14,1% dos 289,9 mil professores têm o 3º grau.
Ou seja, o País tem oito anos para colocar nas universidades e formar 803 mil professores. É como se, a cada ano, cem mil professores tivessem que acumular o trabalho nas escolas com a volta aos bancos das universidades. Para aliviar a demanda sobre os cursos de pedagogia e licenciatura, o MEC criou os Institutos Superiores de Educação, que formarão professores à distância nos mesmos moldes do Proformação. O Conselho Nacional de Educação, entretanto, ainda precisa decidir como eles irão funcionar.
A idéia de habilitar os professores leigos à distância surgiu da impossibilidade de que os mesmos abandonassem o trabalho para voltar a estudar. Os cursos supletivos - que poderiam ser feitos à noite - também não são a opção ideal porque a maioria dos professores leigos dá aulas na zona rural, em áreas de difícil acesso.
Outra vantagem dos cursos à distância é que a rotina doméstica dos cursistas não precisa ser muito alterada. Mesmo assim, o impacto da volta aos estudos é sentido pela família.
Maria do Carmo Alves dá aulas em um assentamento rural em Matupá (MT) e faz parte da primeira turma do Proformação. Como a família mora em um sítio afastado da escola, ela decidiu se mudar temporariamente para uma casa mais perto. Mesmo só encontrando a família a cada 15 dias - nos fins de semana em que não há encontros do programa- ela conta que o marido apóia o esforço.





