Considerada um dos serviços mais essenciais para população, a saúde é um dos setores que mais oferecem vagas de empregos, imunes aos cortes durante períodos de crises devido à necessidade de atendimento dos pacientes. No entanto, a pesquisa "Promoção de saúde no Brasil: nossos hospitais relatam a realidade de 2014", realizado pela KPMG com dados de 1.400 instituições privadas e públicas, aponta que apenas 37% dos profissionais da área são graduados no País.
Além disso, a formação em nível superior cai nos hospitais considerados maiores.
De acordo com o levantamento, 41% dos profissionais são graduados em hospitais com até 500 funcionários, sendo que 18% estão cursando o nível superior e 10% possuem pós-graduação. Nas instituições entre 500 e 800 profissionais, os percentuais são mantidos, mas o número de funcionários que estão cursando a graduação sobe para 30%. Já os hospitais com mais de 2.100 profissionais apresentam uma queda no nível de formação. Segundo a pequisa, 32% dos funcionários são graduados, em média, nas maiores instituições, 7% estão matriculados em cursos de nível superior, e apenas 1% possuem pós-graduação.
"Os hospitais brasileiros precisam se preocupar com a qualificação profissional. Não contar com profissionais capazes e instruídos para realizar importantes funções faz com que as instituições caiam em descrédito e aumente o descontentamento da população", afirma o responsável pelo setor de saúde da KPMG, Marcos Boscolo, no material de divulgação da pesquisa.
Ele lembra que a falta de qualificação profissional também pode provocar problemas de gestão nos hospitais, o que é confirmado pelo levantamento, que aponta que 59% das instituições não conseguiram responder aos questionários pela ausência de dados básicos como número de funcionários graduados, utilização de leitos e outras informações.

PARANÁ
A diretora do SindiSaúde no Paraná, Elaine Rodela, afirma que 90% dos promotores de saúde paranaenses da rede pública possuem o ensino médio ou graduação, sendo que até 50% dos funcionários com segundo grau completo estão em cursos de nível superior, com base nos últimos concursos públicos realizados. "Isso mostra que os profissionais do Estado são qualificados. Além disso, muitos promotores também possuem pós-graduação ou continuam estudando para desempenhar a função com mais qualidade, no entanto, o reconhecimento do Estado é muito demorado e sem incetivo", avalia.
De acordo com ela, os promotores de saúde com ensino fundamental têm um salário médio de R$ 1.300 e desempenham serviços básicos e funções na área de manutenção, como auxiliar administrativo, copeiro, cozinheiro, telefonista e motoristas. Já os profissionais com ensino médio, com salários de aproximadamente R$ 1.500, atuam como técnicos em laboratórios ou em áreas administrativas, enfermagem e outros setores. Já os graduados que atuam em áreas da saúde como fisioterapia, nutrição, farmácia, fonoaudiologia e outros setores têm uma remuneração que ultrapassa os R$ 3,5 mil.
A diretora de Relações Sindicais da Fehospar (Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná), Eliane Maria Cornelsen, afirma que os baixos salários não incentivam a formação profissional no setor, no entanto, os hospitais filantrópicos e privados procuram incentivar a continuidade dos estudos com acréscimos financeiros e expedientes em horários diferenciados. "Os sindicatos também trabalham em parcerias com instituições de ensino para que os funcionários participem de cursos de extensão com objetivo de melhorar a formação e consequentemente a qualidade nos atendimentos de maneira permanente", diz. Ela ainda lembra que os hospitais concorrem com outros setores, como laboratórios e pesquisas, quando os profissionais possuem um alto nível de qualificação e buscam salários melhores.

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