Rio, 09 (AE) - Dos 1.350 candidatos que disputam uma vaga de juiz de Direito no Rio apenas 35 passaram na primeira fase. Os resultados, divulgados na sexta-feira, mostram que o aproveitamento foi de 2,59%. A média para passar era cinco. A prova preliminar, realizada em maio, foi genérica. Constou de 20 questões dissertativas sobre Direito Civil, Penal, Constitucional, Comercial, Tributário e Administrativo. Os candidatos tinham um espaço de 15 linhas para responder cada uma das questões. Quem passou na primeira fase, deverá fazer ainda mais três provas escritas, dessa vez de conhecimento específico, além de uma prova oral. O concurso tinha por objetivo preencher 50 vagas. O salário inicial é de R$ 5.114.
"O exame é bastante rigoroso, mas o problema das universidades, o despreparo e a falta de experiência dos candidatos foram os principais responsáveis por esse resultado"
apontou o desembargador Paulo Gustavo Rebello Horta, secretário da comissão de concurso para ingresso na magistratura. Para fazer o concurso, só é necessário que o candidato tenha dois anos de experiência profissional, o que, na avaliação dos especialistas, é muito pouco. "Antigamente, eram exigidos cinco anos".
O presidente da Associação dos Magistrados do Rio, Fernando Cabral, aponta ainda uma outra razão. "O salário não é muito atraente para quem é mais preparado e já tem mais tempo de experiência profissional", afirmou. "E a carga de trabalho é muito grande". Horta concorda com o colega. "Um advogado razoável ganha muito mais do que isso", disso. "A grande maioria das pessoas que faz o concurso é de recém-formados com pouca experiência." O presidente da comissão de exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) é ainda mais radical. "O resultado demonstra a decadência do ensino jurídico, que não está a altura do que é exigido nos concursos", disse. "Os alunos, por sua vez, fizeram um primeiro e um segundo graus fracos e têm dificuldade de acompanhar as matérias na universidade." Segundo ele, embora o exame de ingresso na OAB seja muito mais fácil do que um concurso para juiz, é fácil perceber a fragilidade do ensino."Enquanto alguns cursos aprovam até 80% de seus alunos, outros não conseguem a carteira de nem 20% dos estudantes".

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