Só 2% concluem graduação ou pós
Londrina - Letícia Gâmbaro, de 18 anos, está na 3ª série do ensino médio. Ela intensificou a rotina de estudos para realizar um sonho: ser aprovada no vestibular de Direito na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O curso, um dos mais concorridos da instituição, é um privilégio para poucos. Além de todas as dificuldades a que os candidatos estão sujeitos, Letícia terá que superar mais um desafio: a cegueira congênita. "Eu sei que é muito difícil, mas eu vou conseguir", disse, confiante.
A coordenadora do Núcleo de Acessibilidade (NAC) da UEL, a psicóloga Ingrid Ausec, informou que atualmente a universidade não possui nenhum estudante cego nos cursos de graduação. "Temos nove casos de baixa visão, em que eles são acompanhados com material ampliado e outros recursos, mas cego não temos ninguém", contou. "Fica claro que a universidade ainda é para poucas pessoas, e para deficientes menos ainda", lamentou. Ela ressaltou, no entanto, que há profissionais formados pela UEL com casos de cegueira em anos anteriores.
Para Ingrid, gradativamente, mais alunos deficientes estão chegando ao ensino superior, o que pressiona melhorias nas políticas públicas. "É um processo que está ocorrendo, mas muito lentamente. A legislação atual contempla muito o ensino básico e alguma coisa do ensino fundamental, mas ainda é deficitária com o ensino superior", comentou.
Letícia sabe que apenas 2% dos cegos no país concluíram um curso de graduação ou pós, mas a determinação da garota parece superar qualquer estatística. A agilidade sobre a máquina de escrever em braille impressiona. Os dedos percorrem rapidamente as nove teclas frontais. "São muitos anos de experiência. Desde pequena que faço leituras e escrevo em braille", contou. No Paraná, apenas 832 cegos dominam o sistema de leitura; 19.988 em todo o país. (C.F.)





