A anorexia atinge cerca de 5% das brasileiras entre 14 e 19 anos, mas menos de 1% das vítimas procura tratamento médico. Os dados são da psiquiatra Carmen Lúcia Schettini, que participou ontem, em Curitiba, de um simpósio sobre Transtornos Alimentares, promovido pela Sociedade Paranaense de Psiquiatria na Associação Médica do Paraná.
Segundo a psiquiatra – coordenadora do Ambulatório de Transtornos Alimentares do Hospital de Clínicas, de Curitiba – uma das causas da falta de tratamento é a pouca informação sobre onde procurar ajuda. As adolescentes também evitam consultar os médicos com medo de engordar. ‘‘Elas normalmente negam os sintomas’’, disse. Sintomas que, na opinião do médico paulista Tálu Cordás, palestrante de hoje no simpósio, são difíceis de serem identificados pelos especialistas. ‘‘A maioria dos psiquiatras não está familiarizada com a anorexia. Além disso, o emagrecimento rápido pode ser causado por qualquer doença orgânica’’, afirmou.
Os resultados dessa falta de informação tanto de médicos como de pacientes pode ser drástico. De acordo com Cordás, 20% das vítimas da anorexia acabam morrendo de desnutrição. O distúrbio alimentar também pode causar forte depressão, alterações gastrointestinais, desidratação e outros problemas de saúde.
O médico afirma que a família tem um papel importante na descoberta dos sintomas da doença. ‘‘Os pais devem observar o comportamento das filhas. Muitas vezes o diagnóstico é dificultado pela grande quantidade de dietas milagrosas que existem.’’ Mas as adolescentes anoréxicas, segundo Carmen Lúcia não apenas comem pouco. Elas têm um medo mórbido de engordar, uma preocupação excessiva com o teor calórico dos alimentos e praticam exercícios intensos com a finalidade de emagrecer.
As pacientes da psiquiatra pesam de 27 a 40 quilos e continuam se esforçando para perder peso. O tratamento desses casos depende de um trabalho multiprofissinal e leva cerca de três anos.

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