Skinheads serão processados por assassinato de adestrador
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 15 (AE) - A Justiça aceitou a denúncia criminal e abriu processo contra os 18 skinheads acusados de matar o adestrador Edson Neris da Silva, de 34 anos. A decisão foi tomada pelo juiz José Ruy Borges Pereira, titular da 1.ª Vara do Júri de São Paulo. Ele também negou os pedidos de liberdade provisória feitos pelos advogados de três dos réus e marcou quatro dias para os interrogatórios dos acusados.
A denúncia contra os réus foi apresentada hoje pelo promotor Marcelo Milani. Os 18 skinheads foram presos em um bar da Rua 13 de Maio, no Bexiga, na madrugada do dia 6, depois de o adestrador ter sido espancado até a morte na Praça da República, no centro de São Paulo. Silva estava andando de mãos dadas com o amigo Dario Pereira Netto, que escapou dos carecas.
Os 18 foram denunciados por homicídio triplamente qualificado - praticado com meio cruel, motivo torpe e sem que a vítima tivesse chance de defesa -; tentativa de homicídio duplamente qualificada - sem chance de defesa e motivo torpe -; e formação de bando ou quadrilha. Por essas acusações, caso sejam condenados, os réus podem pegar pena máxima de 56 anos de prisão. "Agiram os denunciados, quando da prática do crime, pelo repugnante, nojento e, portanto, torpe sentimento de discriminação", sustenta a denúncia.
O juiz recebeu a denúncia do promotor integralmente. Na tarde de hoje Pereira rejeitou os pedidos de liberdade provisória apresentados pelos advogados dos réus Luís Felipe Marcondes Machado, Fernando Azadinho dos Santos e Jorge Conceição Soler.
Habeas-corpus - Marcela Moreira Lopes, advogada de um dos acusados, Onilmar Rocha Queiroz, de 19 anos, disse que entrará com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça para tentar libertá-lo. Único dos homens presos que tem cabelos, Queiroz não depôs na polícia. Segundo a advogada, ele tem amigos carecas e encontrou-se com os outros acusados na Rua Rui Barbosa
quando o crime já teria ocorrido.
Contra os acusados, a promotoria arrolou oito testemunhas e Netto, a vítima de tentativa de homicídio. Das testemunhas, uma delas, C.A.B. reconheceu Vanderlei Aparecido Cardoso como o careca que chutou várias vezes a cabeça do adestrador. Outros acusados foram reconhecidos por vítimas de outras agressões, o que a promotoria quer usar como prova da formação de quadrilha. O promotor aguarda um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) para saber se há sangue no soco inglês apreendido com Edilene Aparecida Pereira Bezerra, uma das duas mulheres acusadas do crime.


