Skinheads serão denunciados por homicídio e formação de bando
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 11 (AE) - Os 18 skinheads presos por causa do assassinato do adestrador de cães Edson Neris da Silva, de 35 anos, serão denunciados criminalmente sob as acusações de homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e formação de bando ou quadrilha. A denúncia será apresentada na segunda-feira pelo promotor Marcelo Milani, do 1.º Tribunal do Júri de São Paulo.
Segundo o promotor, o assassinato do adestrador foi cometido por motivo torpe, pois o ataque foi motivado pelo fato de a vítima ser homossexual; sem que Silva tivesse tido chance de defesa, já que os agressores eram mais de 20; e, finalmente, os criminosos usaram um meio cruel para assassiná-lo, o espancamento até a morte. Essas são as razões que qualificam o homicídio. Para acusar todo o grupo, o promotor pretende enquadrá-los como co-autores do crime.
Depoimento - Hoje Milani e o delegado Jorge Carrasco, titular da 1.ª Delegacia Seccional, ouviram o depoimento do operador de telemarketing Dário Pereira Netto, de 34 anos, que sobreviveu ao ataque dos skinheads na madrugada do domingo, na Praça da República, no centro de São Paulo.
Netto disse não ter conseguido reconhecer nenhum dos presos pela polícia, pois tudo foi muito rápido. "Infelizmente não reconheci", disse. Ele estava andando de mãos dadas com o adestrador na Praça da República, quando os dois foram cercados por um grupo de carecas.
"Os skinheads atacaram os dois porque pensavam que eles eram homossexuais pelo fato de estarem de mãos dadas", afirmou o delegado. Netto conseguiu escapar correndo, mas levou chutes e tapas dos carecas. Por causa disso, os presos serão acusados de ter tentado matar o operador de telemarketing.
Marcha - "Por sorte, eu saí vivo", disse Netto. Ele havia conhecido o adestrador havia cerca de dez dias. Os dois, que estavam saindo pela segunda vez, haviam-se encontrado em um bar na Rua Vieira de Carvalho. Por volta da meia-noite de sábado
decidiram ir a um bar na Rua Santo Antônio. Foi quando passaram pela Praça da República, de mãos dadas.
Aos policiais, ele disse que o grupo de carecas aproximou-se como se estivesse marchando para a guerra. "Vi o grupo e disse para a o Edson: Corre, que vamos ser agredidos; mas ele foi para o lado errado."Netto entrou no metrô e, depois de atravessar a praça pela passagem, voltou ao local, encontrando o amigo desfalecido no chão. "Eu estou abalado", disse. "Relembrar é muito triste e doloroso; não vou esquecer isso nunca."
A polícia procura mais duas supostas testemunhas do crime. Além delas, os policiais estavam procurando outras duas testemunhas já ouvidas no inquéritos a fim de que elas tentassem novamente reconhecer os acusados. Os policiais militares que socorreram o adestrador também deveriam depor na delegacia.


