Agência Estado
De São Paulo
Cerca de 30 skinheads são suspeitos de ter espancado até a morte ontem de madrugada o adestrador de cães Edson Neri da Silva, de 35 anos, na Praça da República, centro de São Paulo. Silva morreu quando era levado para a Santa Casa de Misericórdia. Dário Pereira, que estava com Silva, também foi agredido, mas conseguiu fugir. Vários skinheads foram detidos. Os que são maiores foram autuados em flagrante, por formação de de quadrilha ou bando, e são os principais suspeitos do linchamento.
Separado, depois de dois casamentos, Silva teria assumido a homossexualidade há pouco tempo. Dário Pereira e Silva estiveram juntos em um barzinho e Silva ligou para casa dizendo que não iria voltar. Os dois estavam na Praça da República quando foram cercados por um grupo de jovens carecas. Pereira foi agredido, mas conseguiu correr. Silva foi espancado. Quando a polícia chegou estava com fraturas e hemorragia. Morreu ao receber os primeiros socorros na Santa Casa. Mais tarde, Pereira telefonou para a cunhada de Silva contando o que havia ocorrido.
A polícia foi procurar os criminosos no reduto dos skinheads, um bar na Rua Treze de Maio. Fechou o estabelecimento e deteve todos, cerca de 30 pessoas. Durante toda a madrugada, testemunhas reconheceram pelo menos três dos detidos como integrantes do bando de agressores. Dos detidos, cinco foram liberados graças ao depoimento da proprietária do bar, garantindo à polícia que estavam no local desde o início da noite. Sete menores foram encaminhados ao SOS Criança. E 18 maiores autuados em flagrante por formação de quadrilha ou bando.
Os skinheads são conhecidos pela doutrina nacionalista e pela aversão a negros, nordestinos e homossexuais. Os skinheads pertencem ao grupo Carecas do ABC. Os acusados negam ter participado do assassinato.
Duas testemunhas, que não pediram para não ser identificadas, contam que estavam conversando quando viram o grupo de skinheads se aproximar. ‘‘Eles pegaram a vítima pelo braço e foram rodeando, dando chutes. Os primeiros foram no estômago, depois no corpo todo. Ele ainda conseguiu correr para dentro da praça e chegou até o canteiro, onde caiu’’, contou uma testemunha. ‘‘Então três rapazes foram para cima da vítima e completaram o massacre. Eles foram embora e deixaram o cara lá, agonizando’’.
Autuados em flagrante na 1ª DP, não quiseram dar nenhuma declaração, segundo o delegado assistente Antonio Carlos Araújo, que conseguiu apurar que eles pertencem ao grupo Carecas do ABC. ‘‘Eles disseram que só vão falar em juízo’’. Com os agressores foi apreendida uma arma conhecida como soco inglês, segundo Araújo usada no crime. Os agressores deverão ser transferidos para diversos distritos policiais.
No Instituto Médico Legal, o pai da vítima, o desempregado João Gabriel Raulino, contou que o corpo do filho ficou completamente deformado, com lesões principalmente na cabeça. Segundo Raulino, Silva era muito atencioso e dedicado à família e negou informações de que ele fosse homossexual. ‘‘Espero que a Justiça deixe os assassinos na cadeia para o resto da vida’’, disse. O corpo será velado em Itapevi.Atacado no centro de São Paulo, adestrador de cães não teve a menor chance com o bando. Suspeitos já estão presos
Agência EstadoREDUTOFachada do bar na Rua Treze de Maio, aonde a polícia foi buscar os skinheads suspeitos do assassinato do adestrador de cães Edson Neri da Silva, de 35 anos (no destaque). Dezoito maiores fora autuados em flagrante por formação de quadrilha ou bando, mas negam ter participado do crime