Skinheads agredidos em DPs serão transferidos; acusado chora durante depoimento
Skinheads agredidos em DPs serão transferidos; acusado chora durante depoimento14/Mar, 21:06 Por Cecília Negrão São Paulo, 14 (AE) - Três dos 18 skinheads denunciados pela morte do adestrador de cães Edson Neris da Silva seriam transferidos ainda hoje de distritos policiais, após terem sofrido maus-tratos de outros presos. Marcelo Pereira Martins, Roberto Grós e Luís Felipe Marcondes receberam as ameaças na carceragem do 74.º e do 87.º DPs. A polícia não informou para qual distrito eles seriam levados. O juiz José Ruy Borges, do 1.º Tribunal do Júri, que conduz os interrogatórios sobre a morte do adestrador, solicitou à Corregedoria dos Presídios que todos os skinheads fiquem isolados dos demais presos. O juiz determinou a abertura de inquérito policial para investigar o espancamento de Vanderlei Cardoso de Sá, considerado o líder dos skinheads, ocorrido sábado, no 74.º DP. Sá está internado com fraturas múltiplas no Hospital de Taipas, zona norte da capital. O delegado titular do 74.º Distrito, Marcel Druziani, está ouvindo os 39 presos que teriam agredido Sá na cela. Segundo o promotor Marcelo Milani, o careca foi espancado porque queria se tornar "líder dentro da delegacia". "Tentamos garantir a integridade das pessoas que estão à disposição da Justiça", afirmou o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Gerson de Carvalho. Ele disse, porém, que a imagem dos skinheads, tidos como pessoas "violentas, que detestam homossexuais", contribuiu para as ameaças frequentes. Depoimentos - O juiz Borges concluiu hoje a fase de depoimentos do caso, ouvindo Onilmar Rocha de Queiroz, Eduardo Pereira e André de Souza da Silva. Os três negaram envolvimento no crime. Queiroz, que é garçom, chorou durante todo depoimento. Ele alegou ser inocente e disse que foi preso por acaso. "Estava na rua quando os policiais chegaram". Queiroz contou ao juiz que, no primeiro dia em que esteve na cela, também foi agredido. "Queimaram o meu dedo com isqueiro", afirmou. Apesar da insistência de sua advogada, ele disse não precisar de transferência. A partir do dia 29, serão ouvidas as nove testemunhas de acusação. Entre elas estão o delegado titular do 3.º Distrito, Jorge Carrasco, Dario Pereira Neto (amigo que estava como Neris no dia do crime) e Marcos Daniel (homossexual espancado no ano passado, que teria reconhecido três dos acusados no caso do adestrador).





