São Paulo, 11 (AE) - O comerciante Carlos Augusto de Souza Borges reconheceu hoje o skinhead Vanderlei Cardoso como um dos agressores do adestrador de cães Edson Neris da Silva e espancaram Dario Pereira Neto, na Praça da República, no centro de São Paulo. O adestrador morreu em função dos ferimentos. Ele foi a terceira testemunha de acusação a prestar depoimento na 1.ª Vara Criminal da Capital, hoje. As primeiras testemunhas do dia foram o delegado titular da Seccional Centro, Jorge Carlos Carrasco, e o investigador Alexandre Lages.
Borges afirmou ao juiz José Ruy Borges Pereira que viu o grupo - cerca de 30 pessoas - aproximar-se de Silva e Neto na Praça da República. Borges disse que estava parado num ponto de ônibus e assistiu ao espancamento, que durou cerca de 40 segundos. "Eles não tiveram tempo de reagir". Afirmou que informou o crime à polícia em ligação de seu telefone celular. O comerciante disse ao juiz que, depois da agressão, o grupo seguiu em direção ao bairro da Bela Vista, onde a Polícia Civil prendeu 18 acusados.
Antes de reconhecer Sá, Borges se contradisse, porque teria reconhecido anteriormente outra pessoa. O delegado Carrasco explicou ao juiz que a seleção dos indiciados foi feita por testemunhas. Carrasco afirmou que nenhuma das pessoas detidas foi agredida na delegacia. O investigador Lages, que participou da prisão dos skinheads, detalhou como reconheceu os agressores. Disse que conversou na delegacia com alguns integrantes do grupo, que confirmaram seguir a filosofia skinhead. De acordo com Lages, Fernando dos Santos, que faz parte do grupo de skinheads, confirmou a um investigador do 3.º DP que os dois homens foram agredidos por alguns integrantes do grupo, mas negou que tivesse participado da ação.
Espancamentos - A quarta testemunha de acusação, o restaurador de móveis Marcos Daniel Braga Fernandes, agredido por skinheads no dia 6 de fevereiro de 1999, reconheceu Henrique Velasco, Edilene Aparecida Pereira Bezerra, David Alves dos Santos Júnior e Fernando Asadinho dos Santos, como as mesmas pessoas que o espancaram. Segundo Braga, que não havia acusado essas pessoas antes, ele os reconheceu por meio de fotos de jornal. Braga afirmou que teria sido agredido por ser homossexual.

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