São Paulo, 06 (AE) - Um grupo de cerca de 30 skin heads espancou até a morte nesta madrugada o adestrador de cães Edson Neris da Silva, de 35 anos, na Praça da República, Centro de São Paulo. Silva era homossexual. Ele morreu quando era levado para a Santa Casa de Misericórdia. Dário Pereira, que estava com Silva, também foi agredido, mas conseguiu fugir. Vários skin heads foram detidos. Os que são maiores foram autuados em flagrante, por formação de de quadrilha ou bando, e são os principais suspeitos do linchamento.
Separado, depois de dois casamentos, Silva havia assumido a homossexualidade há pouco tempo. Dário Pereira e Silva estiveram juntos em um barzinho e Silva ligou para casa dizendo que não iria voltar, pois passaria a noite com o namorado. Os dois estavam na Praça da República quando foram cercados por um grupo de jovens carecas. Pereira foi agredido, mas conseguiu correr em direção ao Metrô. Silva foi espancado. Quando a polícia chegou estava com fraturas e hemorragia. Morreu ao receber os primeiros socorros na Santa Casa. Mais tarde, Pereira telefonou para a cunhada de Silva contando o que havia ocorrido.
A polícia foi procurar os criminosos no reduto dos skin heads, o bar Recanto dos Amigos, na Rua Treze de Maio. Fechou o estabelecimento e deteve todos, cerca de 30 pessoas. Durante toda a madrugada, testemunhas reconheceram pelo menos três dos detidos como integrantes do bando de agressores. Dos detidos, cinco foram liberados graças ao depoimento da proprietária do estabelecimento, garantindo à polícia que estavam no local desde o início da noite. Sete menores foram encaminhados ao SOS Criança. E 18 maiores autuados em flagrante por formação de quadrilha ou bando. Com o detidos foi apreendido um "soco inglês" que pode ter sido usado contra a vítima.