Skatistas invadem centro de convivência
Marcos Zanatta
De Maringá
Uma das praças mais bonitas de Maringá está destruída depois que começou a ser frequentada por ciclistas e praticantes de skate
O Centro de Convivência Comunitária de Maringá, uma das praças mais bonitas da cidade, está destruído depois que começou a ser frequentado por skatistas. Há cerca de cinco anos, a praça foi totalmente reformada, com a retirada das barracas fixas, onde eram realizadas festas beneficentes.
Mais aberta, a área passou a atrair primeiro ciclistas e depois os praticantes de skate. Dos 42 bancos de madeira e ferro instalados na praça, restaram apenas três. O piso de cerâmica hidráulica apresenta rachaduras e desgastes e as floreiras de cimento estão com as pontas quebradas.
O alvo principal dos sketistas agora são as plataformas de cimento que protegem as redes elétrica e hidráulicas, usadas como bancos pelos poucos frequentadores. Não temos como coibir porque falta pessoal, diz Luciano Roberto Gomes, vigilante da prefeitura que trabalha ao lado da praça.
Ele conta que já chegou a agredir alguns skatistas e tomou os skates, mas reconhece que não adianta nada. Já chamei a Polícia Militar mas ela não pode fazer nada a não ser pedir para o pessoal não ficar usando a praça, justifica. Muitas vezes chegam a fumam maconha aqui. Além da destruição, estão afastando os frequentadores do Centro de Convivência. Existem muitos prédios em volta da praça e os moradores não têm outra opção de lazer. Mas do jeito que está, os moradores preferem ficar longe, diz Gomes.
Outro vigilante da prefeitura, Mateus Thomig, que cuida das reformas do banheiro da praça, diz que os abusos acontecem porque a praça é grande e há pouca gente para cuidar. Ele lembra que antes, quando ainda existiam bancos, os skatistas chegavam de bando. Agora eles vêm aos poucos, mas desafiam a gente. Segundo Thomig, os skatistas reclamam que a praça com pista para skate na Avenida Cerro Azul serve apenas para patins e roller.
O vendedor ambulante Ataíde Domingos de Souza, que tem um carrinho de pipoca há mais de 10 anos na praça, diz que os skatistas são sem-educação. Nem parece filho de gente boa, diz.
Souza acha que os frequentadores foram embora porque não há mais bancos no local. Agora sobrou só um banco porque nós cuidamos e se for preciso chamamos a polícia, afirma. O sorveteiro Amandio João Gonçalves, que trabalha há oito anos na praça, conta que um dia chegou de manhã e lavou o banco. Alguns minutos depois, os skatistas chegaram e passaram cera no banco para usar como rampa. Fui conversar com eles, mas me destrataram. Então, acionei a polícia. Quatro skatistas foram presos e tiveram os skates apreendidos.
O maior receio dos dois ambulantes é que os skatistas sejam violentos com eles. Se a gente fala em chamar a polícia eles ameaçam de agressão, conta Gonçalves. Ele revela que as famílias que saem da missa na catedral, ou que moram por perto, evitam até passar pelo Centro de Convivência em alguns horários.
O secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Hamilton Cardoso, disse à Folha que os skatistas tem uma praça só para praticar o esporte. O problema é que eles querem velocidade e vão para o Centro de Convivência, que é mais aberto, mas não vamos permitir, avisa.
Ele reconhece que os skatistas destruíram os bancos, piso e as floreiras da praça, mas alerta que a prefeitura está selecionando mais pessoal para o setor de vigilância. Vamos ampliar o número de vigilantes na praça e acabar com o problema, garante.
Cardoso rebate a crítica dos skatistas, que se recusam a usar a pista da Avenida Cerro Azul porque dizem que serve para a prática do esporte. Se a pista feita para eles não serve, a praça também não, diz. Ele lembra ainda que a prefeitura esta tolerando os skatistas no estacionamento do estádio Willie Davids. Vamos acabar com os skates e também com as bicicletas no Centro de Convivência e reformar todo o local, promete.
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