O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) ganhou um novo instrumento para fortalecer e tornar mais ágil o monitoramento ambiental e a fiscalização da região amazônica. A partir do início do próximo ano, o Projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) passará a fornecer dados e imagens de satélite e de radares, inicialmente para controle dos 600 mil quilômetros de 43 municípios do sul do Pará, Rondônia e Norte do Mato Grosso, principais responsáveis por altos índices de desmatamento, na área.
''O Ibama será o operador da célula ambiental do Sivam'', afirmou o brigadeiro Teomar Fonseca Quírico, presidente da Comissão Coordenadora do Projeto Sivam, durante assinatura de convênio que prevê o repasse ao instituto de R$ 1,6 milhão, em forma de equipamentos, tecnologia e treinamento de recursos humanos. Computadores serão instalados em 104 escritórios do instituto na Amazônia e no Centro de Sensoriamento Remoto, na sede do órgão, em Brasília. Profissionais serão treinados para analisar dados brutos do Sivam.
O Ibama recebe apenas uma vez por ano imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A parceria com o Sivam aumentará a disponibilidade de dados, com maior rapidez. De acordo com Edgar Fagundes Filho, chefe do Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, essa agilidade permitirá, por exemplo, detectar tendências de desmatamento em determinada área. ''Hoje, multamos quem já desmatou; a partir desse convênio, queremos ter condições de impedir que o desmatamento se efetue.''
O presidente do Ibama, Hamilton Casara, explicou que os dados obtidos poderão ser usados tanto para fiscalização como para orientar o uso sustentável de recursos naturais. Além de focos de queimadas, da expansão da atividade agropecuária e de aspectos do clima da região, será possível controlar o fluxo do transporte fluvial, inclusive da madeira extraída ilegalmente e obter mapas da fauna e da flora da região.
A expectativa é de que a partir de meados do próximo ano, os dados transmitidos pela Sivam possam englobar boa parte da Amazônia Legal. Mas a idéia é trabalhar com prioridades, iniciando o monitoramento pelas áreas de maior risco e expandindo a fiscalização para o chamado arco do desflorestamento, até que seja possível alcançar os 5,2 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Legal.

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