Brasília, 19 (AE) - A partir do próximo ano, o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) começará a tornar-se realidade. Com o término das obras do primeiro Centro Regional de Vigilância, em Manaus, o governo vai ativar de imediato cerca de 40% do sistema e colocará em ação dois dos cinco aviões com radares de grande porte, fabricados pela Embraer. Nessa primeira fase, quatro Estados serão beneficiados pelo Sivam. Considerado um dos projetos mais polêmicos já desenvolvidos no País - não pela sua execução, mas por causa do financiamento -, o Sivam vai interligar toda a Amazônia com sistemas de radares ligados aos centros de informações instalados em Porto Velho (RO), Manaus (AM) e Belém (PA).
"No próximo ano, o sistema será uma realidade", afirma o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg. O governo não admite nenhum atraso no cronograma de execução do Sivam. Mas, depois da polêmica causada em torno do financiamento das obras do projeto - que causou a demissão do então ministro da Aeronáutica Mauro Granda e do chefe de Cerimonial do Palácio do Planalto Júlio César dos Santos -, a extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) resolveu conduzir o processo sem muita propaganda. Até agora, já foram investidos cerca de US$ 60 milhões - de um total de US$ 275 milhões - em cem obras que estão sendo realizadas em Manaus e serão concluídas até o fim deste ano.
"No início de 2002 estaremos concluindo o projeto", informa Sardenberg. "Nessa primeira fase, estamos construindo galpões e radares e instalando alguns equipamentos", explica Sardenberg. Pró-Amazônia - Pelas previsões do governo, no próximo ano os Estados do Amazonas, Roraima e parte do Pará e de Mato Grosso já estarão sob a vigilância do Sivam. Até lá, a Polícia Federal também deverá concluir os estudos para a instalação do Pró-Amazônia, um projeto semelhante ao Sivam, que tem como objetivo principal o aumento de efetivo e das instalações policiais.
O governo quer que o Sivam seja mais que um simples sistema de vigilância, para tornar-se um elo de integração entre a sociedade e o poder público. Para isso, estão sendo instalados os Centros Estaduais de Usuários. Eles funcionarão em áreas de 200 metros quadrados, de propriedade dos governos, onde computadores, aparelhos de fax e Internet fornecerão todas as informações econômicas e técnicas sobre investimentos na região.
Além disso, outros mil usuários vão receber kits - antenas, telefones, fax e computadores - e treinamento para fornecer e receber informações sobre o Sivam. "Vamos vender nossos serviços pela Internet, proporcionando informações, desde que não sigilosas", explica o ex-ministro de Projetos Especiais. Esse tipo de operação só deverá começar a funcionar no fim do próximo ano. Aviões - Mas a grande novidade no Sivam são os cinco aviões que a Embraer fabricou especialmente para o sistema. Três deles - modelo 145 de alerta aéreo - já estão fazendo vôos experimentais utilizando os modernos satélites de rastreamento, enquanto os outros dois - supertucanos de intervenção - estão sendo concluídos. "As aeronaves serão utilizadas em sensoriamento remoto e mapeamento, além da vigilância", diz Sardenberg.
O governo pretende fiscalizar cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, onde vivem mais de 20 milhões de pessoas, muitas vezes vítimas do isolamento provocado pela falta de ação do poder público, mas muito próximas de outros problemas, como o narcotráfico e a biopirataria. "Não vamos resolver definitivamente os problemas, mas avançaremos bastante", calcula Sardenberg.
Além de controlar o tráfego aéreo irregular na região - calculado em cerca de 2,3 mil vôos anuais ou 6 a cada dia -, o Sivam pretende monitorar com mais precisão a biodiversidade da Amazônia. Tanto é que será proposto, aos países sul-americanos que fazem fronteira no Norte do Brasil, que instalem sistemas semelhantes ao Sivam. Os primeiros contatos já foram feitos com a Colômbia e o Peru.

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