Londrina - Ao longo do dia várias situações podem fazer a pressão arterial variar - seja fumando, comendo uma feijoada, enfrentando o trânsito depois do trabalho, ou mesmo relaxando em um happy hour com os amigos. Saber identificar isso ajuda a conhecer melhor o próprio corpo e a prevenir fatores que influenciam no desenvolvimento ou agravam a hipertensão, como alimentação, bebidas alcóolicas, cigarro e obesidade.
Fazer atividade física, por exemplo, segundo o cardiologista Antonio Nechar Júnior, de Londrina, faz subir os valores da pressão arterial sistólica (pressão máxima) por conta da grande liberação de adrenalina. ''É fisiológico, é normal que a pressão suba nessa situação'', avalia. Mas nada que impeça a prática. Pelo contrário, fazer exercícios físicos regularmente é uma forma de controle da hipertensão arterial.
Situação diferente, de prazer e relaxamento, leva à diminuição da pressão. Mas nem sempre sair com os amigos e tomar vários drinks é a melhor pedida. Isto porque o álcool eleva a pressão arterial, pode afetar outros órgãos do organismo e contribui para o aumento de peso, que impacta na pressão.
''O organismo é dinâmico. A frequência cardíaca, fatores emocionais, hormonais, estresse, exposição a baixas temperaturas, alimentação e atividade física influenciam na pressão arterial'', ressalta Nechar Júnior, lembrando que até a tensão na presença do médico na hora de aferir a pressão pode colaborar para um aumento. Por isso, uma medida única de pressão, isolada, não pode ser considerada na hora de definir se um paciente é ou não hipertenso. ''Pode ser, no máximo, um alerta''.
O sinal ''amarelo'' para a pressão arterial está em alguns números - mais precisamente 140/90 mmHg (ou 14 por 9). Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, uma pessoa é considerada hipertensa quando sua pressão arterial estiver maior ou igual a 14 por 9 (medida que deve ser confirmada várias vezes por profissional capacitado com aparelho corretamente calibrado). ''O ideal é 12 por 8''. Uma das maneiras de diagnóstico é com um aparelho chamado holter, que mede a variação da pressão em 24 horas.
Ter alguém da família com hipertensão também é sinal ''amarelo'' para um controle mais rígido da pressão arterial. Mas, mesmo entre aqueles que não tem o fator hereditário, ''é de bom hábito fazer a mensuração periódica da pressão, duas a três vezes por ano''. A maior incidência da doença é na faixa entre 40 e 60 anos de idade, com pico entre os 50 e 55 anos.
''Hipertensão é o nosso grande desafio, é traiçoeira por ser silenciosa, e o que desencadeia uma série de outras doenças'', alerta o cardiologista. É silenciosa porque, na maioria dos casos, não apresenta nenhum sintoma e pode levar de 10 a 20 anos para causar prejuízos. O que também acontece é o organismo se adaptar gradativamente a sintomas como cefaléia, tontura, palpitações e náuseas.
Entre as consequências da hipertensão não tratada estão doenças graves, como insuficiência cardíaca, infarto, acidente vascular cerebral (AVC, popularmente conhecido como derrame) e insuficiência (ou perda) da função dos rins (veja quadro). A hipertensão arterial atinge aproximadamente 25% da população brasileira. ''Mais de 350 mil pessoas morrem todo ano no Brasil por doenças cardíacas, como infarto, arritmia e morte súbita, e 80% delas estão ligadas a hipertensão não detectada ou mal cuidada''.

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