Situações diversas tornam inviáveis partos naturais
Para a secretária executiva adjunta da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Vera Lúcia da Fonseca, o que mais pesa no grande número de cesáreas realizadas pelos planos é a remuneração dos médicos. ''O valor pago ao obstetra pela cesárea é o mesmo pago pelo parto natural, que às vezes exige dedicação de até 12 horas do profissional. Temos estudado meios de alterar esta forma de trabalho, para que o médico sinta-se mais estimulado a realizar partos normais'', informa.
Outro ponto que conspira contra os partos naturais, segundo a médica, é o baixo número de leitos disponíveis nos hospitais conveniados aos planos de saúde. ''Principalmente nos grandes centros, há dificuldade de encontrar leito de urgência. Os médicos ficam com receio de arriscar e, caso necessite, não haver vaga para a gestante. Por isso, para não correr o risco, muitos optam pelo parto eletivo (agendado).''
Segundo a médica, na periferia das grandes cidades e nos pequenos centros o problema é outro: não há anestesista disponível 24 horas por dia, o que aumenta muito os riscos, em uma imprevisibilidade. ''Há portanto, uma série de fatores que colaboram para aumentar o número de cesáreas no País. O importante é melhorar a assistência obstétrica na saúde suplementar, e isto inclui desde um bom pré-natal até a garantia de leito disponível na hora do parto'', argumenta Vera Lúcia. (S.L.)





