‘‘Situação na Zona da Mata é pior’’
Agência Estado
O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Pernambuco, Jaime Amorim, disse ontem que o movimento não vai negociar em nome da população que está passando fome. Ele negou ter recebido convite da Superintendência da Sudene para uma conversa. ‘‘Uma trégua depende de alimentação, água e apoio’’, disse. ‘‘Mais do que conversa, se quer medidas.’ Segundo ele, a situação da população nordestina é muito mais séria do que mostra a mídia.
Amorim considerou um ‘‘casuísmo’’ o fato de o superintendente da Sudene não querer conversar com o líder nacional do MST, João Pedro Stédile, alegando considerá-lo radical. ‘‘Temos uma organização, temos unidade e não aceitamos discriminações desse tipo’’, afirmou. Ele observou que tanto o MST como a Contag já entregaram propostas ao governo federal para enfrentar os efeitos da seca, que não teriam sido consideradas. E exemplificou com a remuneração de R$ 65,00 que a Sudene pretende pagar nas frentes de trabalho. ‘‘O salário mínimo é um só, não há um mínimo do mínimo’’.
Favelados da periferia de Escada, na Zona da Mata, a 55 quilômetros do Recife, tentaram repetir ontem os bloqueios e saques dos flagelados da seca do sertão, com a ajuda do MST. A polícia estava no local desde cedo. O bloqueio, programado para a BR-101, na entrada da cidade, foi suspenso. Cerca de cem pessoas dispostas a não voltar para casa sem comida seguiram para a prefeitura, cercaram o carro do prefeito José Alves (PSB) e negociaram cestas básicas.
Arlei Castro, de 20 anos, um dos articuladores da tentativa frustrada de bloqueio à estrada, ontem, disse que a situação na Zona da Mata, segundo Castro, é pior do que no sertão. ‘‘Lá, se chover dá para plantar’’, diz. ‘‘Aqui a terra está cansada de mais de 400 anos da monocultura da cana e os trabalhadores estão na miséria, vivendo nas periferias das cidades, desempregados e sem perspectiva.’

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