Foz do Iguaçu - Duas cidades localizadas na região da fronteira do Brasil com o Paraguai e Argentina estão à beira de uma convulsão social. No município paraguaio de Ciudad del Este, sindicalistas e desempregados ameaçam realizar novas paralisações a qualquer momento. Na cidade argentina de Puerto Iguazú, a população enfrenta a pior recessão de toda a história. Sem trabalho e o que comer, um grupo de moradores montou acampamento na praça central.
Mesmo com a promessa do governo de tentar achar uma saída para o desemprego em Ciudad del Este, representantes de classes trabalhadoras não descartam a possibilidade de novas paralisações, como as promovidas durante toda a semana. A crise prolongada no comércio vizinho, que extinguiu vários postos de trabalho e a demissão de funcionários públicos da Prefeitura de Ciudad del Este contribuíram para agravar ainda mais o problema.
Segundo dados do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), nos últimos cinco anos o setor demitiu cerca de 10 mil pessoas. Mais de cinco mil são brasileiros. A iminência de uma explosão social colocou todo o contingente policial do Departamento de Alto Paraná de prontidão.
O presidente Luiz Macchi deve chegar esta semana a Ciudad del Este para negociar algumas propostas com os sindicalistas. Na pauta de reivindicações, reforma agrária, melhorias para a educação, saúde e abertura de novas frentes de trabalho.
A pequena Puerto Iguazú, na Argentina, que agoniza desde 91, quando o governo indexou o peso ao dólar no país vizinho, e o fim da paridade não trouxe alívio para a economia da cidade, como estimavam os comerciantes. Uma década de decadência transformou o município numa cidade fantasma.
Os turistas desapareceram e menos da metade do comércio conseguiu resistir à crise. Com o anúncio do novo pacote econômico do presidente Eduardo Duhalde, a situação piorou. A indulgência atinge um terço da população local, estimada em 15 mil habitantes. Sem moradia e comida, um grupo de pessoas está morando na praça central da cidade. Os moradores querem emprego, a garantia de alimentos nos supermercados e remédios grátis. O prefeito Timóteo Lhera diz que não sabe como resolver o impasse.

mockup