Situação gera ciclo vicioso
A renda, na visão do consultor econômico Cid Cordeiro, é o principal motivo para os jovens estarem fora da sala de aula. "A baixa renda faz com que o jovem precise entrar muito cedo no mercado de trabalho, e isso vai dificultando a possibilidade de compatibilizar emprego e estudo." A situação tem reflexos negativos no futuro desses jovens, já que, ao sair dos estudos para complementar a renda, eles ficam sujeitos às vagas com menor remuneração. O problema ainda se estende aos seus filhos, que em parte dos casos, podem acabar seguindo o mesmo caminho devido à situação econômica da família.
A falta de vagas em universidades gratuitas é outro fator que leva os jovens e deixarem as carteiras, acrescenta Cordeiro. "Não temos ensino público gratuito na integralidade do ensino superior e os jovens não conseguem pagar o ensino privado." Os reflexos disso atingem o País como um todo. "Acaba afetando a absorção de tecnologia, o desenvolvimento de tecnologia e a produtividade, item básico que dá competitividade à economia."
Políticas voltadas à educação, para a docente do curso de Economia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Katy Maia, são fundamentais nesse momento. Na sua opinião, os cortes em programas do governo voltados à educação deverão tornar a situação ainda mais crítica. "Nesse momento de crise, ainda vamos sofrer bastante as consequências para a educação. O único caminho para o desenvolvimento é a educação. Não tem solução mágica. Os jovens daqui a dez anos serão adultos e não estarão capacitados." Entre as consequências para eles, enfatiza a docente, estão ainda o desemprego, a informalidade e a marginalidade.(M.F.C.)





