Situação financeira de eurodeputados continua privilegiada
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sexta-feira, 11 de junho de 1999
Por Reali Júnior, Correspondente 
Paris, 12 (AE) Na véspera das eleições européias, um levantamento divulgado na França mostra que a situação financeira dos deputados europeus vai continuar excelente, mais ou menos a mesma de seus colegas dos parlamentos nacionais em matéria de salários, despesas e muitas vantagens acumuladas.
Pouco importa que eles sejam franceses, britânicos, italianos ou alemães. Se o levantamento fosse mais abrangente, envolvendo deputados de outros países e continentes, incluindo os do Brasil, o resultado muito provavelmente seria semelhante.
Um deputado, não importa sua origem política ou ideologia, raciocina mais ou menos da mesma forma sobre esses importantes aspectos da vida parlamentar, não aceitando, em princípio, qualquer tipo de controle sobre sua remuneração. Os salários dos 626 eurodeputados que trabalham em Estrasburgo e Bruxelas são pagos pelos parlamentos nacionais, sendo o valor do salário similar ao dos deputados das assembléias de seus respectivos países.
Dessa forma, a bancada parlamentar melhor remunerada em Estrasburgo é a italiana. Os eurodeputados italianos recebem hoje um salário mensal de US$ 10,5 mil, liderando o grupo dos 15 países e seguidos pelos deputados austríacos, com US$ 10 mil mensais.
Os eurodeputados belgas, franceses e britânicos encontram-se numa faixa intermediária, de US$ 6 mil, sendo os espanhóis os que menos recebem: apenas US$ 3 mil.
Além desse salário, o eurodeputado dispõe também de uma verba de US$ 16 mil mensais - podendo utilizá-la livremente, sem prestação de contas. Normalmente, essa verba é usada para a contratação de auxiliares, mas recentemente a Associação dos Assistentes do Parlamento Europeu denunciou as más condições de trabalho da classe: contratos sem duração determinada, salários baixos e ausência de seguridade social.
As despesas de viagem estão incluídas no que se convencionou chamar de "fraude tolerada". Muitos eurodeputados registram como residência principal, o local mais longe possível da sede do Parlamento. Por exemplo, o socialista Jack Lang, que residente na Place de Vosges, um dos lugares mais luxuosos de Paris, declara sua residência no Vaucluse, na Provence, onde se encontra sua casa de campo. Dessa forma, suas despesas de viagem são calculadas a partir dessa região - mais de 700 quilômetros da capital e 1,2 mil quilômetros de Bruxelas.
Os eurodeputados desmentem que exista fraude na utilização da verba de US$ 16 mil, usada livremente para as despesas de viagem e manutenção de seu secretariado, mas só 7 entre 87 eurodeputados franceses aceitaram responder um questionário detalhado sobre como essa verba é utilizada apresentado pelo jornal Libération.


