Situação está sem controle, afirma promotor da Infância e Juventude
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sábado, 11 de setembro de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 12 (AE) - Se do lado de fora dos portões do Complexo Imigrantes da Febem o clima era de tensão e ansiedade, causado principalmente pela falta de informações sobre os adolescentes infratores, na parte interna do prédio os promotores da Infância e da Juventude da capital também encontravam dificuldades para obter dados oficiais. "A situação está sem controle, ninguém responde por nada", disse o promotor Wilson Tafner.
Às 14h30, quando ele e os colegas Ebenezer Salgado Soares e Sueli Riviera chegaram à unidade não havia nenhum médico no local. "A todo momento chegavam feridos, que eram atendidos apenas por três enfermeiros." Segundo dados da promotoria, há defasagem de 40 a 45 monitores por ala - são quatro no complexo. As duas psicólogas fazem cerca de 550 atendimentos mensais e a única assistente social atende 140 jovens por mês. "Nesse estado, a única coisa a fazer é administrar o caos", afirmou Tafner.
De acordo com ele, 60% dos menores da Febem Imigrantes já deveriam ter sido transferidos para outras unidades educacionais. "Mais da metade dos internos são do interior do Estado e vieram para a capital porque não havia instituições em suas cidades", disse Soares. Os promotores afirmaram não compreender como "o governo consegue construir 17 presídios e não negocia vagas para jovens infratores em seus municípios de origem".
Fitas - Eles requisitaram hoje as fitas com as gravações de agressões aos menores feitas no sábado por redes de TV. O objetivo é identificar os responsáveis. Amanhã (13) devem solicitar que seja restabelecida a decisão judicial de transferir os menores da Febem Imigrantes para que o total de internos não exceda 320, já que o prédio foi projetado para este contigente. "Em até 120 dias a unidade deve passar por reformas
principalmente nos banheiros e dormitórios, para garantir condições mínimas para os adolescentes", ressaltou Tafner.


